Entenda as vantagens e como promover a diversidade nas empresas

Por Robert Half on 18 de junho de 2021
Tempo estimado de leitura: 12 minutos

As discussões a respeito do multiculturalismo estão cada vez mais presentes em nossa sociedade e chegaram ao mercado de trabalho. As novas gerações se posicionam cada vez mais a favor do respeito ao próximo, fazendo com que a diversidade nas empresas seja uma discussão inevitável.

Temas como diversidade, acessibilidade, empoderamento e preconceito se tornaram frequentes na vida pessoal e profissional das pessoas. Assim, organizações com condutas que agem de maneira inadequada frente a essas questões rapidamente viram assunto e têm sua imagem prejudicada.

Em paralelo a isso, aquelas que se antecipam e buscam aprimorar suas posturas em relação a essas questões tendem a aproveitar inúmeros benefícios. Não se trata de atender a uma moda passageira, mas sim de respeitar o progresso social pelo qual o mundo está passando.

Aderir a essa cultura é urgente e necessário não só para obter visibilidade, mas também por questões sociais.

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O que significa promover a diversidade no ambiente de trabalho?

Promover a diversidade nas empresas é reunir, em um quadro de colaboradores, indivíduos que sofrem algum tipo de rejeição social em razão de sua classe, gênero, etnia, deficiência, religião e outras questões que servem de gatilho para o preconceito e a intolerância.

Falar em diversidade humana significa ter representados todos os grupos da sociedade em um microcosmo. No caso, se a sua empresa deseja ser vista como aberta à diversidade, isso significa abrir as suas portas para pessoas de qualquer origem e característica.

É importante ter em mente que trabalhar esse multiculturalismo não é uma questão de priorizar determinados grupos de pessoas, mas considerar as habilidades de qualquer profissional acima de suas escolhas pessoais ou características.

Entenda melhor esse conceito conhecendo um pouco mais sobre alguns tipos de diversidade.

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Idade

Embora não seja um motivo de preocupação para as empresas, a idade dos colaboradores também é vista como diversidade e tem até um nome: diversidade geracional.

Ter profissionais de gerações diferentes permite trocas mais ricas de conhecimento e ideias, o que agrega muito na organização.

Etnia

É importante que a organização possibilite a representatividade étnica nos processos de seleção, assim será oferecido oportunidades para pessoas que enfrentam dificuldades no dia a dia. 

Não estamos falando em contratá-las apenas para o chão de fábrica, é necessário abrir oportunidades de crescimento e gestão para esse público.

Orientação sexual e identidade de gênero

Neste caso, é importante estar atento não somente aos processos de recrutamento, mas também à ações que promovam a conscientização dos demais colaboradores. 

Mesmo que já exista acesso a informação, muitas pessoas ainda confundem os termos orientação sexual e identidade de gênero.

Contratar essas pessoas não é suficiente, é preciso orientar a todos para eliminar qualquer tipo de preconceito e situações constrangedoras. 

Você pode gostar de: Por que investir na diversidade no recrutamento e seleção?

Classes sociais

Uma empresa que está preocupada com a diversidade sabe que no Brasil existe uma grande diferença de classes sociais. Nesse contexto, é necessário sensibilidade para tratar alguns assuntos.  

Por exemplo, se ao invés de exigir habilidades como segundo idioma ou cursos específicos no processo de seleção, uma vez que as pessoas não possuem a mesma oportunidade, a melhor alternativa seria que a própria organização promovesse esse aprendizado.

Aulas de inglês ou cursos específicos são, além de meios de aquisição de habilidades “extras”, benefícios que podem ser oferecidos para tornar as vagas mais atrativas e uma forma de tornar a equipe mais eficientes em suas demandas como um todo.

Qual a importância de promover essa diversidade?

Hoje, o mundo vê a questão da diversidade com outros olhos, tanto no ambiente profissional quanto no âmbito pessoal. A promoção da diversidade no universo corporativo mostra padrões de funcionários mais felizes no trabalho.

Também aumenta a retenção de colaboradores e fortalece o conceito de marca empregadora que cria uma aceitação diferente, inclusive pelo mercado de forma geral — por quem não conhece diretamente o propósito e o que a empresa prega e faz.

Por isso, a promoção de um ambiente mais diverso em todos os aspectos — não só na questão de gênero, mas também de religião, inclusão de pessoas com deficiência etc. — cria um valor totalmente diferente daquele presente em empresas que não se preocupam com esse tema.

Além disso, gera a admiração das pessoas, tanto de quem trabalha e está empenhado com isso dentro das corporações quanto de quem está procurando uma nova oportunidade e tem o interesse de atuar em uma empresa na qual a diversidade não está só escrita na parede, mas realmente sendo aplicada.

Em resumo, os motivos a seguir são decisivos para começar a diversidade no ambiente de trabalho.​

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Alinhamento com a sociedade

Uma empresa que ignora as movimentações da sociedade fica para trás em qualquer mercado. Isso vai além de acompanhar tendências do seu segmento, já que o comportamento das pessoas está sempre em transformação constante.

O público, hoje, se preocupa com a diversidade. Há cada vez mais gente interessada em discutir esse assunto, além de vê-lo priorizado nas empresas com que se identificam. A sua organização arrisca perder a predileção de seus clientes caso ignore esses movimentos.

Diminuição do risco de crises

A diversidade no ambiente de trabalho está em pauta na mídia, nas redes sociais e nas conversas das pessoas. As organizações que não sabem ou não querem se adaptar costumam sofrer com crises de imagem que são difíceis de superar.

Assim, preocupar-se com a diversidade em sua empresa é uma forma de evitar o risco de crises como essas. Você poderá economizar recursos que seriam desperdiçados nessa recuperação e preservar a imagem do seu negócio.

Menor turnover

Um ambiente que prioriza a diversidade também tende a beneficiar quem já atua na sua empresa. O espaço torna-se mais inclusivo, possibilitando que mais pessoas se enxerguem representadas em sua organização. Isso é fundamental para a diminuição da sua taxa de turnover.

Um turnover alto é um sinal de alerta de que a sua cultura interna precisa de atenção urgente. Ao colocar a diversidade em pauta no seu planejamento, será possível reverter esse quadro.

Maior qualificação profissional

Ao abrir as suas contratações para todos os grupos da sociedade, a tendência é que a sua empresa se beneficie com mais talentos. Muitos profissionais de alto nível são discriminados por processos seletivos que os descartam, sendo que poderiam agregar muito valor às empresas.

Ou seja, ao colocar a diversidade no ambiente de trabalho como pauta em sua organização, você poderá atrair mais talentos em várias áreas, contribuindo para o próprio sucesso.

Como garantir a diversidade nas empresas?

A diversidade deve ser uma preocupação de todos na empresa. Garantir essa prática significa dar a oportunidade para que a pessoa desempenhe melhor sua função, independentemente do seu gênero, do que gosta e de como pensa, em um ambiente que seja respeitoso e aberto a receber diversos perfis.

Não adianta a empresa falar que contratará pessoas de diferentes gêneros e gostos se, ao fim do dia, não houver um ambiente de aceitação desses grupos. A contratação existe, mas o comprometimento não. Sem verificar o ambiente, é impossível ter certeza de que a pessoa terá uma experiência confortável.

Isso pode ser percebido por meio de práticas de comunicação. Um diálogo bem construído entre todos os membros das equipes, líderes e gestores é capaz de transformar pensamentos. Questionar-se a respeito dos valores da organização também é uma forma de garantir a diversidade:

  • o que a gente tem como valores?
  • O que a gente tem como cultura?

Essas questões devem ser empregadas e valem para todo e qualquer integrante do quadro de colaboradores. Quando pensamos nas questões sobre ética e respeito ao próximo, estamos tratando de valores. A empresa precisa entender isso e disseminar uma cultura a favor de melhores práticas, comportamentos e posturas.

Nesse contexto, é necessário intervir, advertir e levantar algumas questões quando for preciso. Por exemplo, não aceitar que certas brincadeiras aconteçam em um ambiente de trabalho que promove uma abertura para a diversidade de gênero.

A consciência inclusiva e respeitosa deve partir da empresa para com os trabalhadores. O exemplo deve vir da liderança que, se não estiver engajada, terá dificuldades para disseminar bons valores aos demais colegas de trabalho. Inspire-se no case de algumas empresas.

Grupo GPA

O Grupo GPA é uma holding de grandes marcas como Assaí, Casas Bahia, Extra e Ponto Frio. Em 2015 iniciou o comprometimento com a diversidade. Uma das iniciativas é a qualificação de pessoas acima de 55 anos, trazendo cerca de 3400 colaboradores com essa faixa etária. 

Além disso, o programa Equidade de Gêneros, criado em 2014, analisa a presença feminina na empresa, com ações que incentivam a participação das mulheres em posições de liderança.

PwC

A PwC foca em destinar metade das suas ações humanitárias para ONGs que buscam atuar no desenvolvimento profissional de jovens desfavorecidos como a InRoads e a Associação Nacional de Contadores Negros.

Johnson & Johnson

A Jonhson & Jonhson exige que seus fornecedores promovam ações que incluam pessoas de idade avançada ou LGBTQIA+ em suas políticas internas, por exemplo. 

Além disso, ela foca na diversificação dos cargos de direção, onde metade dos 13 diretores 6 são negros, mulheres ou latinos.

Como criar um programa de inclusão na empresa?

Um programa de inclusão é uma série de diretrizes que deverão ser seguidas não apenas pelo setor de RH como também pelos demais departamentos da empresa. O foco do documento é estabelecer normas para potencializar a inclusão em seus processos seletivos e demais contratações, como a de fornecedores.

Esse é um passo importante para colocar a diversidade no ambiente de trabalho em pauta. Esse tipo de discussão não pode ficar apenas na conversa, necessitando de ações efetivas que se concretizem e incentivem uma maior diversidade em seus processos.

Outro benefício de contar com um programa de inclusão bem-estabelecido é que ele garante o cumprimento de suas orientações ao longo do tempo. Isso deixará de ser a iniciativa de um único profissional para se tornar parte integrante da cultura interna.

A seguir, veja alguns passos essenciais para que a sua empresa conte com um programa de inclusão.

Busque a ajuda de especialistas

Caso a sua organização não conte com profissionais capacitados para conduzir uma iniciativa como essa, não há problema. Você pode começar a praticar desde já a sua postura voltada à diversidade e buscar alguém de fora para ajudar.

Essa pessoa deverá ter a vivência e a experiência necessárias para saber quais ações priorizar e como conduzi-las.

Reveja seus processos seletivos

Desejar uma maior inclusão em seu processo seletivo é um ótimo primeiro passo para almejar a diversidade no ambiente de trabalho. No entanto, por mais que a sua organização não discrimine as pessoas diretamente, é preciso rever como esse processo acontece do começo ao fim.

Não se trata apenas de eliminar traços de discriminação. Também é preciso aplicar ações que incentivem a inclusão de quem talvez não se sinta atendido pelo processo seletivo até então.

Ouça as pessoas

Um processo com foco em pessoas deve reservar tempo e espaço para que elas sejam ouvidas. Crie uma via de comunicação transparente em sua empresa para que as suas equipes possam participar ativamente do seu processo de inclusão.

Além de permitir ter contato com ideias mais diversas a respeito desse projeto, você também deixará claro para os seus profissionais que se preocupa com a opinião deles. Tudo isso será positivo para um resultado de mais diversidade em seus processos.

Faça comparações produtivas

Mesmo depois da implementação de um programa de inclusão, você precisa continuar trabalhando a favor da diversidade em sua empresa. Isso significa fazer comparações constantes para ter certeza de que os seus esforços estão realmente gerando efeitos positivos.

Comparar um índice de diversidade começa simplesmente contando quantos profissionais do seu time se enquadram em classificações de minorias. Ao longo do tempo, o objetivo é ver esse índice aumentando.

Como é possível garantir a diversidade nos processos seletivos?

O recrutador precisa garantir que a escolha sempre seja feita em cima da melhor pessoa e do melhor perfil. Então, o trabalho de seleção — seja de uma consultoria ou da área de Recursos Humanos da empresa contratante — é ter certeza de que o perfil contratado é a alternativa ideal para aquela função.

Quando a cultura da empresa não está em transformação ou não tem uma aceitação para isso, a pessoa pode até ser escolhida, mas não perdura por se sentir acuada. Muitas vezes, não terá liberdade para ser quem é ou precisará lidar com condutas preconceituosas.

O respeito à diversidade começa no momento em que a seleção não acontece por influência da idade, gênero ou orientação sexual, mas sim pela capacidade técnica e comportamental do candidato. Entretanto, para que isso seja possível, é preciso trabalhar a cultura da empresa antes.

Quais são as vantagens para a organização?

Empresas adeptas da diversidade ganham visibilidade perante a concorrência. Negócios que demonstram domínio e respeito por essas questões, se preocupando com o bem-estar dos indivíduos, viram assunto em redes sociais e entre rodas de amigos, colaborando para a atração e retenção de talentos.

Atualmente, as pessoas buscam lugares onde possam ter um propósito para trabalhar, não considerando somente o salário que ganham. Por isso, a promoção da diversidade na empresa gera engajamento e cria uma cultura única para o negócio.

O colaborador vê valor agregado em fazer parte de uma organização que pensa dessa forma, enquanto o contratante percebe o valor em ter sempre o melhor do que cada um pode oferecer, independentemente da pessoa, gerando benefícios a todos.

Como as empresas do Brasil se posicionam?

Em uma pesquisa feita pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), constantou-se que, embora grande parte das empresas do Brasil pensem na diversidade dos colaboradores, seus programas não incluem refugiados, negros, deficientes, ex-presidiarios, pessoas acima de 50 anos e LGBTQIA+.  

Na pesquisa, 99% dos trabalhadores entrevistados declaram que as pessoas que saíram do sistema penitenciário são as menos contratadas pelas organizações. Logo depois, aparecem os migrantes (96,36%), seguidos dos transexuais (93,33%). 

Segundo matéria publicada pela CNN, apesar de muitas empresas saberem o valor da inclusão da diversidade, ainda precisam ultrapassar barreiras e tabus. Um exemplo disso é a contratação de pessoas trans. Mesmo com diploma de graduação, títulos de mestrado e doutorado não são absorvidos pelo mercado. E quando são, os ambientes tóxicos fazem com que deixem seus empregos, pois não garantem a segurança psicológica e desvalorizam o profissional.

A diversidade nas empresas deve ser amplamente discutida, disseminada e respeitada. Não cabe mais às gerações atual e futura o cultivo de ambientes hostis. É preciso que os gestores se posicionem e abracem todas as causas, afinal, a competência não tem classe, cor ou gênero.

Quais são suas experiências profissionais acerca deste tema? Compartilhe conosco. Vamos adorar saber mais. Deixe um comentário.

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