Geração Z: características, desafios, necessidades

Por Robert Half 23 de abril 2018

Por Vinicius Antunes

A geração Z, com jovens nascidos entre 1995 e 2010, é a primeira a ter contato com o meio digital desde que nasceu. Até por isso são chamados de nativos digitais. Isso impôs uma série de características a esse público, cujos representantes nascidos na década de 90 já estão inseridos no mercado de trabalho.

Pode-se dizer que, de forma geral, os jovens da geração Z antecipam e simplificam muita coisa – pontos extremamente positivos no mundo corporativo. São profissionais com uma compreensão tecnológica apurada, abertos a novas tecnologias e com raciocínio rápido. Essas características acabam gerando certa impaciência, e a rotina frequente atrelada a processos burocráticos pode ser desanimadora para esses jovens.

Além disso, costumam ser autodidatas (há vários exemplos de jovens que aprenderam novos idiomas jogando videogame, ouvindo música e assistindo a filmes) e multitarefas (sempre estiveram conectados a diferentes dispositivos – celular e TV – simultaneamente).

Cenário desafiador

A entrada da geração Z no mercado de trabalho coincidiu com um período de grave crise no cenário nacional, fortemente impactada pelo ambiente político e os diversos casos de corrupção. Apesar de ter características comportamentais muito positivas, essa geração é considerada pessimista, principalmente em relação aos cenários macroeconômico, político e profissional, pois teve que lidar com a frustação de, após anos de dedicação à capacitação acadêmica, não obter o retorno desejado. É uma geração que precisou aprender a enfrentar um mercado de trabalho com escassez de emprego e baixa perspectiva de carreira profissional no curto prazo. Isso fez com que muitos jovens profissionais de alta performance buscassem programas internacionais de desenvolvimento de carreira ou até mesmo subempregos em países mais desenvolvidos, gerando uma grave perda de potenciais profissionais no mercado brasileiro.

Exigências do mercado

Nesse ambiente, a exigência sobre esses jovens é alta e é difícil brigar contra isso, principalmente em um mercado extremamente competitivo e sedento por profissionais de alta performance. Cabe aos jovens profissionais a busca por diferenciais. Entre eles uma boa formação – faculdades ditas de primeira linha saltam aos olhos dos recrutadores – e a fluência em um segundo idioma. Saber flutuar entre as redes sociais, para usar as mídias de formas diferentes, também é importante. No LinkedIn, por exemplo, que é mais voltado à carreira, vale compartilhar informações que agreguem valor.

O que os jovens querem

Da parte dos jovens profissionais, vemos que eles preferem empresas que ofereçam flexibilidade. Companhias inflexíveis, “engessadas”, não funcionam para esse público. A geração Z também valoriza a gestão horizontal, na qual é possível levar ideias diretamente aos cargos mais altos da hierarquia e que prioriza o resultado/entrega independentemente do horário de chegada e saída e da presença no escritório ou da escolha por fazer home office. Problemas com gestão de pessoas frequentemente levam esses profissionais a procurarem outro emprego.

Os jovens buscam empresas éticas, do ponto de vista das relações e do meio ambiente. É uma geração que vivenciou a corrupção na esfera pública de uma maneira muito forte e até por isso eles costumam ser engajados a uma causa.

* Vinicius Antunes é especialista em Recrutamento na Robert Half.

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