Futuro do trabalho: conheça os dois fatores que estão transformando o mundo corporativo

Por Robert Half on 14 de abril de 2021

* Por Fernando Mantovani

Os últimos meses comprovaram o quanto nós, enquanto sociedade, somos capazes de nos adaptar. Pudemos testemunhar que, no mundo em geral, incluindo o corporativo, algumas mudanças acontecem da noite para o dia. O que antes era tratado como o futuro do trabalho virou presente de uma hora para outra e exigiu de nós um posicionamento rápido e, em algumas situações, um tanto radical: adaptar-se ou enfrentar a extinção.

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Foi com isso em mente que muitas organizações migraram do ambiente presencial para o remoto e que até profissionais mais conservadores têm procurado formas de se adaptar à realidade do home office, do trabalho híbrido, das reuniões virtuais, do recrutamento à distância e do onboarding remoto. É muita mudança em tão pouco espaço de tempo. Não dá para negar.

No entanto, os desafios para que a gente cresça e evolua como organização e profissional estão longe de cessar. Dentro dos movimentos que venho acompanhando e de conversas com profissionais de diferentes níveis hierárquicos, minha sugestão é que tenhamos no radar dois temas que devem ditar muitas regras nos próximos meses: tecnologia e contratação de profissionais para projetos.

Tecnologia: o principal agente da transformação

Mais da metade dos 387 profissionais entrevistados pela Robert Half (62%) para a produção da 15ª edição do ICRH acreditam que o avanço da tecnologia e a automação dos processos irão ampliar as oportunidades de trabalho no futuro. Do total, 74% relataram que, nos últimos cinco anos, suas funções sofreram alguma adaptação em função dos movimentos tecnológicos.

Aqui, creio que caiba um alerta especial: hoje, a tecnologia é assunto para toda a organização e não apenas para a área de TI. Ela pode impactar a rotina de profissionais de todos os níveis hierárquicos. Então, para que não haja surpresas, recomendo que os profissionais se mantenham antenados sobre quais inovações tecnológicas são tendência na própria área de atuação. Paralelamente a isso, demonstrem abertura para aprender, se adaptar e evoluir com a empresa.

Contratação de profissionais para projetos: um caminho para a otimização da mão de obra

Quase 60% dos 387 líderes entrevistados para a composição do ICRH dizem acreditar que nas empresas nas quais trabalham a tendência é de que haja o aumento do uso da mão de obra especializada para projetos com prazo determinado. Espera-se que a maior demanda nos próximos meses seja para a área de tecnologia. Mas também há a expectativa de que aumente a contratação de profissionais para projetos no departamento financeiro, na área jurídica, em vendas, em recursos humanos e em marketing.

Esses talentos que trabalham por prazo determinado - em cargos de analista a diretor(a) - são aqueles especialistas que entram na empresa para resolver uma questão pontual, sazonal ou emergencial, sem inflar o quadro de colaboradores permanentes. Com metas bem definidas, sua passagem pela organização tem data para início e término, mas sempre permeada de muitas vantagens tanto para o empregado quanto para o empregador.

Os profissionais com experiência nessa modalidade entrevistados durante a sondagem do ICRH afirmaram que esse modelo de trabalho os atrai por cinco fatores prioritários: possibilidade de trabalhar em uma empresa fora do país; atuar em um projeto desafiador; ampliar os conhecimentos e o networking; trabalhar na empresa de seus sonhos; e ter mais flexibilidade e qualidade de vida. Já as organizações têm contratado profissionais para projetos por seis fatores: liquidar projetos pontuais; se tornar mais ágil e flexível; aliviar a sobrecarga da equipe; falta de headcount; imprevisibilidade do cenário econômico; e mudança de mindset da organização.

Procure saber se você oferece o que o mercado procura

Seja qual for o cenário do mercado de trabalho, agora ou no futuro, uma coisa é certa: os empregadores continuarão mais disponíveis a ensinar um método ou processo a um profissional do que orientá-lo sobre como se comportar com pares, gestores e clientes. Tanto é que 74% dos 387 líderes entrevistados pelo ICRH afirmaram que, em pouco tempo, as competências comportamentais serão mais importantes do que o conhecimento técnico. Hoje, as habilidades têm o mesmo peso.

Dessa forma, esteja você empregado ou em busca de recolocação, seja líder ou liderado, faça uma avaliação sincera do seu comportamento no trabalho individual e em equipe. Se não souber por onde começar esse mapeamento, sugiro investigar a sua aderência a cinco habilidades do trabalho do futuro: autoconhecimento, autocrítica, inteligência emocional, autogestão e pensamento crítico e analítico. Mas não pare por aí.

É cada vez mais comum ver profissionais sendo contratados pelo excelente nível técnico e demitidos pelo comportamento. Você não quer ser nenhum personagem dessa desconfortável situação, não é mesmo?

* Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half e autor do livro Para quem está na chuva… e não quer se molhar

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