Legal design: o que é, como funciona e quais são as etapas?

Por Robert Half on 9 de setembro de 2020

A tecnologia chegou ao segmento jurídico com a promessa de facilitar a vida das pessoas. Esse movimento é conhecido como Legal Design, que é aplicado aos conceitos de Design Thinking, com o objetivo de tornar os serviços jurídicos mais humanos, satisfatórios e utilizáveis.

Contudo, para que seja efetivo, é preciso conhecer bem esse conceito, suas possibilidades e como ele pode ser usado para elevar a qualidade dos serviços jurídicos em diversas esferas, o que inclui a empresarial. Quer saber mais sobre o que é Legal Design e como ele funciona nas empresas? Então, continue a leitura!

O que é o Legal Design?

De maneira sintética, o termo Legal Design tem sua inspiração nos conceitos de Design Thinking e de User Experience (UX), que são metodologias de comprovada eficiência e utilizadas para propor soluções com colaboração e também empatia.

Essas metodologias fazem uso de premissas que procuram tornar os processos mais empáticos, além entender, investigar e avaliar os cenários. Partindo desse princípio, passam a fazer uso de novas tecnologias, que podem oferecer inovação em forma de respostas para os problemas apresentados.

Para tanto, fazem uso da combinação de departamentos do design, da tecnologia e do direito. Assim, o design atua em uma composição que considera a mentalidade inovadora e criativa, direcionada para a resolução de conflitos, o que pode ser útil para a gestão das corporações.

Dessa forma, a mentalidade do Legal Design tem aplicabilidade nos serviços jurídicos, fazendo o rompimento com o pensamento tradicional da área, que é bastante comum, inclusive fomentada pelos próprios profissionais do segmento. Entretanto, o mercado impõe novos desafios e uma dinâmica cada vez mais rápida, imposta principalmente pelo avanço da tecnologia. Isso leva à busca pela inovação, que acompanha as novas tecnologias.

Nesse cenário, em uma abordagem bastante prática, o Legal Design busca três objetivos que seguem a ordem abaixo. Acompanhe!

  • auxiliar o leigo e o profissional de direito.
  • criar melhores suportes para os sistemas jurídicos, usando o poder do conhecimento e dos processos de design para otimizar as ferramentas e interfaces com as quais os usuários podem circular pelo sistema jurídico. Para esse suporte de retaguarda dos trabalhos, o Legal Design utiliza os mesmos meios para a criação de regras, com abordagens e ferramentas mais intuitivas.
  • atuar para melhorar processos a curto prazo e trabalhar em ações inovadoras para promover mudanças a longo prazo.

No Legal Design, as ações são voltadas para unir o leigo e o profissional de direito de uma forma bastante simples. Para isso, devem ser pensadas soluções para capacitar a pessoa leiga, a fim de torná-la mais apta para lidar com situações complexas.

Já para o profissional, as ações são voltadas para identificar como as soluções tecnológicas podem auxiliá-lo a fazer melhor uso da prática do direito, a fim de encontrar soluções para atender seus clientes de forma mais eficiente.

Qual a importância do Legal Design?

A proposta do movimento ligado ao Legal Design é trazer novas formas de contextualizar e pensar a própria advocacia, fazendo com que os processos sejam mais voltados para as soluções focadas em pessoas. Além disso, o Legal Design representa uma forma de os profissionais se diferenciarem. Para isso, apostam no uso da tecnologia como facilitadora e na formação de sociedades mais robustas e inovadoras, o que leva a melhores soluções.

Como o Legal Design funciona?

O cliente e o atendimento de suas necessidades passam a ser o foco do setor jurídico que segue os conceitos do Legal Design. Para isso, é necessário que ocorra uma grande transformação da mentalidade das pessoas envolvidas nos processos, favorecendo a geração de uma nova cultura.

Assim, o Legal Design pode ser aplicado a qualquer área do direito e envolve questões como colaboração, observação e aprendizado rápido, além da análise do negócio de maneira simultânea e voltada para a compreensão do cliente. Esse movimento promete revolucionar os conceitos jurídicos como conhecidos até alguns anos atrás.

Quais são suas etapas e como aplicar na empresa?

O passo inicial é fazer o reconhecimento das necessidades de seus clientes, sendo que essa etapa é fundamental para definir um modelo a ser seguido. Você consegue fazer um reconhecimento do cenário com uma escuta atenta, que possibilite identificar quais são os gestores e profissionais que auxiliarão na implementação do Legal Design na corporação. Após essa etapa, é possível fazer a divisão da implementação em 6 etapas.

Pesquisa e observação

Nessa etapa, os envolvidos na implantação do projeto na empresa são entrevistados. Para isso, é muito importante usar a empatia, que vai possibilitar a você reconhecer cenários e ter uma visão maior acerca dos processos.

Ponto de vista

Tendo como base as informações levantadas na compreensão das questões da empresa, deve-se partir para uma convergência de pensamentos, a fim de encontrar as melhores soluções.

Ideação

Partindo de pesquisas, as ideias se transformam em diretrizes voltadas para soluções tangíveis.

Modelo de solução

Nessa etapa, as ideias se transformam em possíveis soluções e os protótipos, ou modelos, fazem a mensuração das percepções acerca das soluções propostas.

Validação de ideias ou testes.

Aqui são realizados os testes das hipóteses levantadas e dos protótipos.

Repetição

Nessa etapa, os feedbacks são analisados. Isso torna possível adaptar o modelo, a fim de se chegar à melhor solução.

Como aplicar na empresa?

Nas empresas, o Legal Design deve ser implantado de forma colaborativa. Assim, é possível reunir grupos, de preferência de várias áreas da companhia, para definir uma questão que seja algo bastante relevante para a organização e que tenha relação com a área jurídica. Então, é preciso trabalhar a empatia para compreender a cultura empresarial e o seu perfil, indo em busca das melhores soluções para a empresa e as pessoas que fazem parte dela.

Um segundo passo é reunir a equipe para aplicar as ideias levantadas. Isso pode ser feito de forma prática, por exemplo:

  • ao realizar um atendimento ao cliente;
  • a forma como as informações são apresentadas;
  • como os processos são configurados;
  • como as políticas são estabelecidas;
  • em uma nova maneira de fazer a redação de um documento;
  • implementar uma tecnologia que torne mais rápido o acompanhamento dos processos, entre outras questões.

Portanto, a proposta é concretizar as ideias e, para isso, elas devem ser testadas com o usuário. Somente dessa forma as sugestões de melhorias das questões jurídicas da empresa poderão ser validadas. Diante disso, fica evidente que a implantação do Legal Design na empresa pode trazer mais facilidades para as pessoas, o que agrega muito valor para os trabalhos realizados na organização. Isso certamente é refletido positivamente na imagem corporativa do negócio.

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