Carreira: as conversas mais difíceis no mundo corporativo

Esconder embaixo do tapete do escritório as más notícias e as situações de conflito está fora de cogitação. Cedo ou tarde, porém, é preciso encarar aquele diálogo em que cada palavra é escolhida a dedo. Assumir um erro, impor limites ao cliente e convencer o chefe de que merece aquela promoção disputada pelos colegas são exemplos de conversas difíceis, mas que raramente podem ser evitadas. VEJA.com conversou com especialistas em comunicação corporativa para relacionar os assuntos mais complicados a ser discutidos no ambiente de trabalho – e que podem até prejudicar a carreira:

Dizer 'não'

A insegurança é o grande motivador do profissional que não consegue dizer 'não' para chefes e clientes. O resultado quase sempre é um funcionário sobrecarregado e estressado que, não raro, vê comprometida a qualidade de seu trabalho. Portanto, crie coragem para explicar que, se acumular mais um novo projeto, não terá tempo suficiente para entregá-lo no prazo ou fazer a revisão necessária. Outra sugestão dos especialistas: peça ajuda a quem delega para relacionar as prioridades - isso pode ajudá-lo a reconhecer o excesso de tarefas. Muitas vezes, trata-se de uma escolha: se o profissional não aprende a dizer 'não', a má qualidade do trabalho afeta sua reputação.

Pedir uma promoção

No mundo (corporativo) ideal, os próprios gestores tomariam a iniciativa de premiar bons funcionários com promoções e aumentos. Como essa não é a regra, cabe ao profissional quebrar o gelo e dar início à difícil conversa. Os especialistas são unânimes: permaneça no campo profissional, sem entrar no emocional. Ou seja, relacione os resultados positivos, aponte sua capacidade de liderança, mostre alinhamento com a cultura da empresa, ressalte o bom relacionamento com os clientes, mas não cite problemas financeiros pessoais.

Assumir um erro

Ninguém gosta de admitir para o chefe que não alcançou a meta ou precisa de um prazo para entregar um projeto, mas a situação pode ser inevitável. Para minimizar os danos, os especialistas recomendam que a notícia ruim deve ser acompanhada não só explicações sobre a causa, mas principalmente por soluções que poderiam evitar que o problema se repita e, se possível, para resolvê-lo a curto prazo. Alguns exemplos: apresente medidas que outras companhias adotaram para adaptar-se à crise econômica, negocie um prazo ou uma equipe maiores, sugira nova metodologia para desenvolver o projeto. O que jamais pode acontecer é o funcionário deixar para comunicar a questão aos 45 minutos do segundo tempo, quando nada mais pode ser feito para reverter o quadro. 

Comunicar proposta de outra empresa

Salvo raras exceções, o leilão, em que o profissional negocia com duas empresas simultaneamente para escolher a mais vantajosa, não é bem-visto pelo mercado. O candidato que passa por um processo seletivo, recebe a proposta de trabalho e, em cima da hora, desiste da vaga para permanecer no emprego atual, atraído por uma contraproposta, pode se prejudicar. De um lado, a empresa preterida fecha as portas para futuras oportunidades; de outro, a companhia que quase perdeu o funcionário poderá se lembrar que ele já quis abandonar o barco e, na próxima crise, cogitá-lo para figurar na lista de cortes.

Sugerir mudanças (onde novas ideias não são bem recebidas)

Trazer novas ideias a uma companhia onde a tradição é uma bandeira não é das tarefas mais simples. Mas quem aceita o desafio deve tomar alguns cuidados. O primeiro é evitar críticas ao método atual - acima de tudo é preciso entender os hábitos e metodologias antes de criticá-los. Outro é reunir todos os dados possíveis para mostrar que a mudança pode beneficiar a empresa. Tenha em mente também que novos rumos podem causar desconforto e gerar atrito com os colegas - esteja preparado para gerenciar possíveis crises de ego. Por fim, não leve para o lado pessoal se a ideia for rejeitada - afinal, ela pode não ter sido tão genial quanto parecia.

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