80% dos diretores brasileiros já se arrependeram de uma contratação

Estudo da Robert Half mapeia, ainda, média de tempo para descobrir o equívoco e motivos e prejuízos do desligamento

São Paulo, março de 2018 – Ao abrir um negócio, adquirir uma empresa ou iniciar as operações de um novo departamento, a primeira pergunta que vem à mente do empresário ou gestor é: quais profissionais vão me auxiliar nessa missão? Porém, essa parece não ser a mais fácil das tarefas. De acordo com pesquisa da Robert Half, 80% dos 402 diretores brasileiros entrevistados já se equivocaram ao contratar um profissional.

“Sem equipe qualificada, engajada e motivada, dificilmente a corporação irá evoluir. Por essa razão, é fundamental que o recrutamento seja considerado uma ação estratégica, unindo a linha de negócio e o departamento de recursos humanos da organização em questão, pensando nos objetivos da companhia”, aconselha Mariana Horno, gerente sênior de recrutamento da Robert Half. “Constantemente vejo empresas desperdiçando tempo e recursos financeiros para recrutar e treinar profissionais que pouco tempo depois são desligados ou pedem demissão. O mais preocupante é saber que a maioria não se preocupa em mensurar essas perdas”, ressalta.

Demora para descobrir o equívoco – De acordo com o estudo da Robert Half, 32% dos diretores entrevistados demoram entre um e três meses para perceber que o profissional contratado não atende às expectativas. Entre os demais respondentes, 24% detectaram a falha na contratação entre três semanas e um mês, enquanto 19% descobriram o erro entre uma e duas semanas. “Alguns prejuízos de contratar errado ou de demorar na contratação não são possíveis de serem mensurados. Essa é, inclusive, a percepção de 39% dos entrevistados”, explica Mariana.

Motivos do desligamento – Como as principais justificativas para o desapontamento com os profissionais contratados estão: não mantiveram o compromisso (51%); candidato pouco profissional, sem ética e/ou com atitudes inadequadas (46%); mentiu no currículo (44%); e candidato com baixa qualificação (38%). “É fundamental que, no momento da entrevista, a empresa deixe muito claro para o profissional o perfil da vaga, o escopo do trabalho e o que espera do profissional que vai ocupar a cadeira. Após a contratação, também é importante investir na integração do contratado e oferecer estrutura, informações e suporte adequados para que ele tenha condições de se desenvolver”, reforça Mariana.

Prejuízos – Para os diretores entrevistados, as principais consequências de uma contratação equivocada são perda de produtividade (59%), maior carga de trabalho para os pares (42%) e aumento de estresse da equipe (41%). A pesquisa da Robert Half sobre contratações equivocadas foi realizada em dezembro de 2017 com base na percepção de 402 executivos do Brasil.

Para auxiliar os empregadores na busca por um profissional qualificado, a Robert Half lista 10 passos essenciais para otimizar o processo de recrutamento:

  1. Defina o modelo de contratação - É fundamental entender qual modelo de contratação é mais adequado para a necessidade da sua empresa. Nem todas as posições demandam um profissional com dedicação exclusiva em tempo integral. Em alguns casos, quando o projeto tem data para começar e terminar, uma contratação temporária pode ser mais indicada.

  2. Faça um bom job description - Enumere todas as atividades que esse novo profissional irá desempenhar dentro da empresa, para quem ele irá responder e quais serão as habilidades comportamentais e conhecimentos técnicos necessários para desempenhar bem a função. Este alinhamento é muito importante, pois influencia diretamente na retenção em longo prazo. Por exemplo, exigir inglês fluente para uma posição que não utilizará o idioma frequentemente poderá frustrar o profissional.

  3. Defina um pacote de remuneração competitivo - Apesar de o mercado apresentar uma estabilidade em termos salariais, é preciso uma proposta de salário justa, compatível com a posição e senioridade do cargo. Para entender o comportamento dos salários, consulte estudos de valores praticados pelo mercado, como o Guia Salarial da Robert Half. Também deixe alguma margem de manobra para uma eventual negociação.

  4. Otimize as etapas do processo de recrutamento - Se o processo de seleção for muito longo, você pode perder um bom candidato para a concorrência. Dessa forma, otimize as entrevistas pessoais convidando mais de um entrevistador por etapa. Entrevistas por videoconferência também são muito utilizadas para evitar deslocamentos desnecessários e economiza tempo de todos os envolvidos.

  5. Cheque as referências - Conversar com pessoas que já trabalharam com o candidato é essencial. Nesse contato, além de ampliar o networking você poderá confirmar as informações passadas pelo futuro funcionário e aprofundar detalhes que não tenham ficado claro nas entrevistas.

  6. Estabeleça critérios - Tenha clareza dos critérios para aprovação e reprovação de um candidato durante o processo seletivo. Eles também serão cruciais para a tomada de decisão final.

  7. Tenha a certeza da melhor escolha - Para ter certeza de que realizou a melhor escolha, recorra a uma segunda opinião com profissionais que conhecem o mercado, principalmente em posições-chave.

  8. Seja ágil - Não demore a fazer a oferta final. Um bom profissional é disputado pelo mercado e seu concorrente pode ser mais veloz que você.

  9. Oriente o futuro funcionário - Feita a escolha, oriente corretamente sobre a maneira que o profissional deve se desligar da atual empresa, caso esteja trabalhando. Vale, inclusive, orientá-lo sobre os prós e contras de uma possível contraproposta.

  10. Defina a data de início - Por fim, acorde com o profissional uma data de início, que não o deixe esperando demais ou o permita aceitar uma contraproposta.