Mercado de trabalho: movimentos em virtude da pandemia

Por Robert Half on 24 de abril de 2020

Por Fernando Mantovani

Tenho sido muito questionado sobre minhas percepções com relação aos movimentos do mercado de trabalho nesse período de novos processos e novas formas de trabalhar, em decorrência da pandemia. É claro que ainda temos algumas incertezas no cenário e muita coisa pode mudar nos próximos dias. Mas, listo a seguir um pouco do que tenho observado.

As empresas estão estruturando planos de contingência

Nossos clientes, quando a atividade permitiu, adotaram o trabalho remoto como o plano de contingência inicial, assim que o distanciamento social foi recomendado. Com o prolongamento da quarentena e a natural desaceleração do consumo de produtos e serviços, os líderes têm adotado algumas medidas para manter a sustentabilidade dos negócios e o emprego dos colaboradores, como concessão de férias coletivas, liquidação de banco de horas e redução de salários, sempre dentro do que é permitido pela lei trabalhista. Em alguns casos mais extremos, a opção tem sido a redução do quadro de profissionais.

Equilíbrio emocional é a habilidade mais valorizada

Estamos em um período em que os ânimos se alteram com mais facilidade, podendo interferir negativamente no relacionamento entre os membros da equipe ou na qualidade das entregas ou da tomada de decisões. Dessa forma, é muito importante que profissionais de todos os níveis hierárquicos tenham equilíbrio emocional, ou seja, capacidade para entender e lidar com os próprios sentimentos e do outro. Outras três habilidades estão muito valorizadas: flexibilidade, agilidade e criatividade.

Algumas empresas seguem contratando

Sobre as empresas com vagas a serem preenchidas, uma parte optou por paralisar temporariamente os processos de contratações, seja por alguma incerteza interna, questões econômicas atuais ou falta de entendimento sobre os rumos da economia do País. Entre o restante das companhias, algumas seguem com os processos de maneira 100% remota, da entrevista inicial ao processo de integração, enquanto outras, por necessidades específicas, ainda precisam da presença física do candidato em alguma etapa do processo, respeitando, obviamente, as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Alguns setores recuaram, mas outros estão acelerados

Com as lojas físicas fechadas, o varejo tem sido o setor mais impactado negativamente pelas medidas relacionadas à Covid-19. Em contrapartida, seguem acelerados os serviços com entrega remota, da indústria farmacêutica e da cadeia de saúde. Acredito que o setor de seguros seja o próximo a acelerar, não só pela questão dos planos de saúde como também por uma série de situações que podem gerar reclamações às seguradoras.

Profissionais de projetos estão em alta

Ainda que algumas empresas estejam receosas para aumentar o quadro fixo de colaboradores, algumas ações importantes ou emergenciais das companhias não podem ser paralisadas e precisam de mão de obra especializada para serem executadas. É nesse cenário que cresce a importância do profissional de projetos, para cargos de analistas a gerentes. As ações são diversas, como implantação de infraestrutura para que os colaboradores trabalharem remotamente, gestão temporária do caixa da empresa, reforço da área logística ou da equipe de atendimento para atender a alta de demanda do serviço online e estruturação de sistema de ensino a distância, entre outras. Em geral, são profissionais contratados para uma demanda específica, ou seja, com data definida para início e término da ação.

Minha percepção, experiência e troca de informações com pares de outras unidades da Robert Half ao redor do mundo sinaliza que o mercado de trabalho está se transformando, mas não vai parar. Por isso, é importante que os líderes de negócio aproveitem o momento para reavaliar processos e a qualidade do time. Aos colaboradores, a hora é de cuidar do nível das entregas, sem descuidar da saúde física e emocional. Ainda não sabemos o que nos espera no momento da retomada, mas juntos (ainda que virtualmente) somos mais fortes!

* Fernando Mantovani é diretor geral da Robert Half

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