Confiança no mercado de trabalho: por que a perspectiva dos recrutadores é um bom termômetro?

Por Robert Half on 21 de junho de 2021

Por Fernando Mantovani

Em comparação ao último trimestre, os profissionais em geral estão um pouco menos confiantes com relação ao cenário do mercado de trabalho atual e futuro, conforme mapeou a 16ª edição do Índice de Confiança Robert Half. Algo que eu acredito ser completamente compreensível, tendo em vista que, além de estarmos enfrentando um desafio coletivo, cada profissional está tendo que atravessá-lo enquanto tenta vencer suas próprias batalhas individuais.

ICRH

A metade cheia do copo

Quando me deparo com esse cenário de receio geral, eu sempre procuro fazer um recorte, olhando com bastante atenção para a percepção dos recrutadores. É claro que o sentimento dos profissionais empregados e desempregados são legítimos. Mas, normalmente, as pessoas com poder de decisão sobre o preenchimento de uma vaga dentro da companhia costumam ter suas opiniões balizadas pelas estratégias das organizações na qual atuam. Noto que em muitas o cenário interno é bastante promissor. O que acontece é que se espera apenas o momento mais adequado para desengavetar projetos.

Com relação aos próximos seis meses, o ICRH mostra que esse grupo de líderes tem se mantido no campo do otimismo nos últimos quatro trimestres, com viés de alta no último período. Eu, particularmente, também acredito que estamos caminhando para um cenário mais positivo, ainda que a passos cautelosos.

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Três pontos para reflexão

Enquanto aguardamos que o mercado de trabalho realmente se estabilize, sugiro que você - funcionário ou empregador - prefira sempre olhar a metade cheia do copo. Aqui, não se trata de ter um otimismo ilusório, mas sim de criar um campo mais favorável para ganhar fôlego e ter boas ideias. Nesse processo, sugiro atenção especial a três realidades:

1. O planejamento nos aproxima de melhores realizações

Não é hora de ficar de braços cruzados. Às empresas, sugiro formatar ou revisar o planejamento das ações operacionais e de atração e retenção, certificando-se de que o time interno reúne os melhores talentos, com habilidades técnicas e comportamentais necessárias para essa nova Era de trabalho híbrido, digital e mais autônomo. Aos profissionais, a recomendação é que o foco seja a qualificação e a qualidade das entregas, sem esquecer de que uma carreira de sucesso tem como base pequenas boas decisões.

2. Inglês, espanhol e alemão estão entre os idiomas mais valorizados

Na sondagem do ICRH, mais da metade dos recrutadores (57%) afirmou que a empresa na qual atuam exige dos profissionais fluência ou nível avançado em outros idiomas, com destaque para o inglês, o mais desejado pelos empregadores, porém ainda com poucos profissionais realmente fluentes no Brasil. Há uma crescente valorização também pelo espanhol e alemão.

Aos profissionais, minha recomendação é que, após garantir a fluência no idioma inglês, a escolha de um próximo idioma tenha como base a língua falada no país de origem das empresas que se deseja trabalhar ao longo da carreira. Aos empregadores, sugiro solicitar a proficiência em outros idiomas apenas quando a habilidade for realmente necessária para o dia a dia do profissional. Do contrário, ele poderá se sentir desvalorizado em pouco tempo.

3. Contratação e trabalho por projetos seguem em alta

Como já reforcei em outras ocasiões, a contratação temporária não se refere apenas às vagas abertas no mercado em período de comemorações pontuais, como Natal e Páscoa. Há excelentes oportunidades em diferentes áreas de uma empresa para cargos que vão de analistas a diretores.

Os principais motivos que têm levado as empresas a contratar um profissional para projeto são: oportunidades pontuais, necessidade de agilidade e flexibilidade, alívio da sobrecarga da equipe, falta de headcount e imprevisibilidade do cenário econômico. Do ponto de vista de quem é contratado, 84% acreditam que a experiência é positiva para o currículo, enquanto agrega algumas vantagens à carreira, como networking (opinião de 75% dos entrevistados), aquisição de experiência (75%) e flexibilidade (68%).

Como você pôde ver, os insights que apresentei, que têm como base os dados do 16º ICRH, estão focados nas pessoas, que são peça fundamental na geração do lucro de uma organização, por mais que a tecnologia evolua. Como, na visão de 61% dos recrutadores entrevistados, contratar profissionais qualificados hoje está difícil ou muito difícil, o momento pede a avaliação do time e a revisão da própria relevância dentro da companhia. Todos têm a ganhar com essa precaução.

Fernando Mantovani é diretor geral da Robert Half para a América do Sul e autor do livro Para quem está na chuva… e não quer se molhar

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