Sou gestor, e agora?

*Por Ana Guimarães

A aspiração de muitos analistas é chegar a um cargo de gestão. Mas nem sempre eles se perguntam se estão preparados, se já têm a experiência e a habilidade necessárias para gerir um grupo de pessoas. Quando esses aspectos não são levados em consideração, o que vemos é muita gente despreparada ocupando um cargo de gerência. Nem sempre a culpa é de quem está na posição.

Não raro, as pessoas são colocadas nessa situação por causa de processos equivocados dentro das empresas. Uma vez, um cliente me disse que a primeira coisa que ele olha no currículo de um candidato, que vai ocupar um cargo de liderança, é a formação. Se esse profissional tiver passagem pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) ou pela Escola Politécnica da USP, está automaticamente aprovado. Sem dúvida, essas são instituições de referência, porém, uma formação extremamente técnica não garante que o profissional será um bom gestor. Ser o primeiro aluno da classe não faz de você uma pessoa com boas relações interpessoais.

Aspectos mais profundos precisam ser observados a respeito daquele que vai liderar uma equipe. Um ponto importante é a compatibilidade entre o perfil do gestor e dos subordinados. Esse líder tem capacidade para gerir um time de profissionais diverso e multitarefa ou ele se sente mais à vontade com equipes com características semelhantes às suas? Provavelmente, não daria muito certo colocar um diretor de TI para gerir a equipe de criativos do marketing. Uma falha comum nesse processo é a pressa para preencher um cargo que ficou vago de repente. Na ânsia de não perder a cadeira, as empresas acabam por colocar ali uma pessoa despreparada e que pode não ser reconhecida como líder pelo resto da equipe.

Isso é algo muito delicado. Em alguns casos, pode haver uma surpresa e a pessoa se revelar um ótimo gestor. Mas o que costuma ocorrer é uma falta de identificação da equipe com esse líder, podendo prejudicar o rendimento de todo o time. Empresas com um plano de carreira bem definido e uma comunicação clara e transparente realizam com muito mais tranquilidade essas promoções. E, consequentemente, são beneficiadas com isso, pois conseguem reter e desenvolver talentos capazes de gerir equipes de alto desempenho. Elas também ganham competitividade no mercado e, geralmente, são reconhecidas como boas empresas para se trabalhar.

Se o seu caso, entretanto, for o de “gestor paraquedista” - que caiu no cargo sem aviso prévio – busque se capacitar para desempenhar a nova função. Tenha um relacionamento próximo com seus subordinados, seja franco e faça-os perceber que estão todos no mesmo barco. Se sua empresa não tiver programas estruturados para desenvolvimento de lideranças, não use como desculpa. Inspire-se em grandes líderes e mergulhe em leituras que poderão lhe ajudar.

*Ana Guimarães é gerente da divisão de Mercado Financeiro

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