Aquecimento de mercado nos faz refletir sobre a prática da contraproposta

Por Robert Half 13 de novembro 2017

Por Fernando Mantovani

Comentei esses dias que estamos sentindo um aquecimento do mercado, com as empresas contratando mais nesta época do que contrataram no ano passado. O movimento pode indicar diversas coisas: expansão, substituição, retirada de projetos da gaveta... no entanto, independentemente do motivo, o volume de contratação das empresas tem crescido, evidenciando o otimismo do empresariado com relação à retomada da economia.

Essa sinalização – muito positiva para mercado – pode levar a uma “guerra por talentos”, principalmente quando falamos de profissionais qualificados. Quem já está empregado, pode começar a receber cada vez mais propostas para realizar uma movimentação. Para as empresas, a retomada indica que seus profissionais começarão a ser mais observados pela concorrência.

A tentação da contraproposta

Diante desse cenário, uma prática comum das empresas é, na hora que o colaborador pede demissão, fazer uma contraproposta, com a intenção de mantê-lo no quadro de colaborados.

Já falamos algumas vezes sobre o tema, mas nunca é demais lembrar: a contraproposta não é a melhor escolha quando o profissional decide pedir demissão. E a orientação vale tanto para empresas quanto para colaboradores, que devem pensar muito antes de aceitarem uma oferta para permanecer na companhia.

Quando se trata das empresas, costumo dizer que a contraproposta é somente uma alternativa emergencial de retenção. É importante valorizar o colaborador que se pretende reter enquanto ele está na função e não apenas quando ele pede demissão. Isso porque, em geral, insatisfação salarial não é o único motivo que leva um colaborador a buscar outra oportunidade.

Para os colaboradores, se o pedido de demissão não foi motivado apenas por questões financeiras, a tendência é que, mesmo com uma remuneração maior, as demais insatisfações não serão amenizadas. Além disso, as contrapropostas costumam afetar a reputação profissional, tanto com o empregador atual quanto com o potencial.

Fica o recado: aceitar uma contraproposta não significa criar uma oportunidade, mas, sim, perder outra.

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* Fernando Mantovani é diretor-geral da Robert Half

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