Salário não financeiro. Quanto ele vale para você?

André é designer. Formado há cerca de 15 anos, passou boa parte de sua carreira em uma grande empresa. O salário e os benefícios que tinha eram realmente bons, mas a rotina puxada do expediente e a falta de desafios o fizeram procurar novos caminhos.

Quando disse que sairia, logo veio a contraproposta: uma promoção, uma equipe maior para gerenciar e, claro, um aumento no salário. Mas isso não bastava para ele. Queria mesmo mais flexibilidade de horário – afinal, estava com uma filha pequena em casa -, além de desafios profissionais que o motivassem um pouco mais. “Fiquei tentado com a proposta, me ofereceram um bom aumento e eu seria um chefe de fato. Só que, ao mesmo tempo, fiquei chateado: se queriam me promover, por que esperaram eu pedir demissão para valorizar meu trabalho?”, diz o designer.

Assim, ele deixou a empresa por um novo trabalho, que atendia melhor suas necessidades. Um ano depois da mudança, toca o telefone. Do outro lado da linha, uma consultora de recrutamento. A proposta era tentadora: empresa reconhecida no mercado, bom salário, bons benefícios, equipe grande para administrar e.... muitas horas de trabalho diárias, inclusive nos fins de semana e feriados, se fosse necessário. Não, obrigado.

“A recrutadora me perguntou o que me impediria de voltar a trabalhar em uma grande empresa. Disse na hora: uma carga horária de trabalho muito grande”, relembra André. “Não quero mais isso para mim. Pelo menos não nesta fase da minha vida.”

O caso de André não é único, mas é bem verdade que nem todos os profissionais param para pensar no que realmente importa quando o assunto é salário. Boa remuneração e benefícios tradicionais avaliados em mais algumas centenas (às vezes milhares) de reais são importantes, ninguém diz o contrário.

As despesas existem e precisamos do dinheiro para pagá-las. Mas nem sempre isso basta para atrair e reter profissionais talentosos. É o tal salário não financeiro. O que vale mais para você? Mil reais a mais na conta todos os meses ou poder se dar ao luxo de passar algumas segundas-feiras em casa curtindo seu filho? Um bônus generoso no fim do ano ou a possibilidade de trabalhar a apenas 10 minutos de casa – e a pé ainda? Que tal mil reais a menos, mas estar rodeado de pessoas legais, que têm mais a ver com você do que o pessoal de uma multinacional renomada?

Nem sempre esses aspectos são levados em conta pelos profissionais, mas é fato que muitos deles são os motivos que levam as pessoas a pedir demissão. Pense nisso, e avalie o que realmente importa para você.

Recentemente, Fernando Mantovani, managing director da Robert Half no Brasil, discutiu o tema em seu blog no site da Exame. Confira!

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