Saber ou ser, eis a questão

Por Maria Sartori

Foi-se o tempo em que um processo seletivo baseava-se apenas em competências técnicas e conhecimentos sobre um tema específico. É claro que essas informações são importantes, mas muitas organizações, quando realizam um processo seletivo, estão levando em conta, também, as competências comportamentais dos candidatos, suas emoções e personalidade. Mas o que essas características têm a ver com ser ou não ser um bom profissional? A resposta é simples: a aptidão em lidar com as emoções influencia diretamente o comportamento das pessoas no dia-a-dia das organizações, inclusive a performance diante das atividades.  Além disso, atualmente, é pela característica comportamental que os profissionais conseguem se sobressair perante os demais.

Mas cuidado: as competências comportamentais fazem com que as pessoas se sobressaiam para bem e para o mal. Hoje, mais do que deficiências em habilidades técnicas, é o comportamento indevido um dos principais motivos de demissão. Entre os hábitos que podem prejudicar a reputação de um profissional no trabalho estão: não assumir os próprios erros e sempre procurar um culpado para eles; envolver-se com fofoca; ser negativo; reclamar demais; não trabalhar em equipe; contribuir para um ambiente estressante e ser antiético ou desonesto.

O melhor de você

Numa entrevista, quais as características mais observadas quando se trata de comportamento?

Ética – Por mais óbvio que possa parecer, é bom estar sempre atento a esse ponto.

Inteligência emocional - Mostrar que você consegue lidar com todo tipo de situações sem perder a postura dará segurança ao gestor de te ofertar novos desafios e a apostar em você para promoções futuras. Saber lidar com pressão e com situações adversas é de extrema importância.

Disponibilidade - Mostre que você é uma pessoa disponível a aprender e participar de novas atividades ou projetos. É importante que o gestor saiba que pode contar com você em todos os momentos, principalmente nos mais desafiadores;

Liderança – Independentemente do seu cargo, estabeleça boas parcerias com seus colegas de trabalho e tenha um discurso otimista. Não perca a oportunidades de destacar sua capacidade de liderança, mesmo sem ser chefe. Dentro desse raciocínio, desenvolva a capacidade de se comunicar de maneira clara, objetiva e didática. Também é importante conseguir ensinar e inspirar os demais colegas de trabalho;

Alta capacidade de entrega - Procure entregar resultados além do esperado, não se restringindo àquilo que o gestor solicitou, auto superação e orientação a excelência irão te diferenciar perante os demais. Frases clichês, como “não ganho para isso” tornaram-se ultrapassadas e sem sentido, principalmente em um mercado tão competitivo como o atual;

Habilidades técnicas - Mantenha-se atualizado, não só em relação a sua área, mas nas demais também. Um ótimo investimento para isso é a realização de cursos de curta duração, participação em eventos e feiras e aprimoramento de outros idiomas. Atualmente, garantir qualidade nos processos operacionais tornou-se fundamental.

Como identificar as competências que ainda faltam para evoluir na carreira?

Muitas vezes, só percebemos que não temos determinado conhecimento quando eles são exigidos em algum momento da vida profissional, por isso, antes de tudo, identifique quais são as competências essenciais e exigidas na sua área de atuação e compare com as que você tem. Colocar no papel esses pontos pode auxiliá-lo. Lembre-se que os feedbacks recebidos, tanto em entrevistas quanto de antigos gestores, devem ser considerados. Observe também outras pessoas que obtiveram sucesso durante a carreira, elas podem servir como ótimos exemplos. No geral, a dica é buscar o autoconhecimento com o objetivo de evoluir sempre e estar aberto a saber de pontos a serem desenvolvidos.

*Maria Sartori é gerente sênior da Robert Half

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