Sabático na crise, é possível?

Por Juliana Porto

O período sabático ainda é pouco difundido no mercado corporativo brasileiro. É natural que em tempos de crise qualquer um - empresas e funcionários -  fique reticente em relação a este intervalo. Isso não quer dizer que ele deixou de ser um benefício com vantagens para ambos os lados. Com planejamento e negociação, é possível alcançar este objetivo.

Permanecem como pontos positivos a possibilidade de se oxigenar, fazer aquele curso que planejou por anos ou apenas tirar um tempo para viajar. E se optar por uma licença sem vencimento, por exemplo, pode de alguma forma ajudar na redução de custos da empresa.  Lá fora, durante a crise de 2008, com objetivo de cortar despesas e redundâncias, algumas companhias ofereceram sabáticos a seus funcionários em troca de um salário menor.

Mas em meio aos tempos difíceis, é natural achar que é mais seguro permanecer no escritório, mostrar o que pode fazer e tentar se mostrar indispensável. Contudo, a apreensão em relação a passar um período fora da empresa existia mesmo quando a economia ia bem. O medo de perder o cargo, ser visto como pouco comprometido ou defasado em relação aos colegas já rondava a mente de quem pensava em negociar um sabático por algum tempo.

Então, se de uma forma ou de outra os riscos parecem ser os mesmos, por que não retomar estes planos? Com o aumento da expectativa de vida e a aposentadoria mais distante, este intervalo pode ser, inclusive, uma preparação para um segundo tempo na carreira.

Uma opção é escolher ficar menos tempo fora do que o inicialmente planejado. Se antes ia ficar fora um ano, agora pode pensar em um intervalo de seis ou três meses. Assim, a ansiedade de estar defasado em relação aos colegas pode ser amenizada. Ao mesmo tempo, você também vai gastar menos.

É claro que, para isso, é necessário um planejamento financeiro prévio e precaução: pense em todas as implicações antes de embarcar em um período sabático. O plano de saúde e outros benefícios continuarão? Como o bônus será afetado? E as contribuições previdenciárias? E, claro, todas as condições devem ser acertadas com seu empregador.

*Juliana Porto é jornalista desde 2005 e começou sua carreira escrevendo justamente sobre... carreiras! De lá para cá, já cobriu finanças pessoais, consumo e tecnologia em redações no Rio e São Paulo, mas sempre acaba voltando ao tema com que começou sua vida profissional.

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