Reduzir jornada de trabalho pode ser bom para a empresa e o trabalhador

Reduzir jornada de trabalho pode ser bom para a empresa e o trabalhador

Por Adriana Fonseca

Quando alguém poderia imaginar que reduzir a jornada de trabalho da equipe poderia aumentar a produtividade? Pois Stephan Aarstol, CEO e fundador da Tower Paddle Boards, uma pequena empresa dos Estados Unidos que vende stand up paddles, teve essa ousadia.

Há quase dois anos ele diminuiu o tempo de trabalho da equipe. Ao invés das oito horas tradicionais, os funcionários passaram a ficar cinco horas por dia na empresa, das 8h às 13h – sem pausa para o almoço.

Só que tinha um detalhe: era preciso manter a mesma produtividade da jornada longa. Como estímulo, Aarstol também ofereceu uma participação nos lucros aos funcionários.

Nos primeiros meses, a receita da empresa aumentou 42% e o lucro, 30%. Surpreendente, não? O empreendedor tem a explicação.

“Minha teoria é de que a maioria dos trabalhadores de escritório nos Estados Unidos trabalham efetivamente de 2 a 3 horas por dia, numa jornada diária de 8 horas”, disse Aarstol ao “Huffington Post”.

“A jornada de trabalho como a conhecemos hoje foi inventada há cem anos. Foi desenhada para trabalhadores de fábrica, um trabalho braçal. Hoje as pessoas têm um tipo de trabalho diferente, ficam na frente do computador, num trabalho intelectual. Então resolvi fazer um teste”, completou ele.

Ainda que timidamente, algumas empresas começam a perceber que novos modelos de gestão podem funcionar.

Outro exemplo é do escritório holandês de design Heldergroen. Às 18 horas, pontualmente, as mesas são levantadas por cabos de aço, impedindo que os funcionários trabalhem além desse horário.

Aproveitando o espaço livre, a empresa organiza festas, workshops e até aulas de ioga.

A Suécia, por sua vez, começa a testar uma jornada de trabalho de seis horas diárias – ou 30 semanais. A ideia é proporcionar melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, algo que também é bom para os lucros das empresas.

No primeiro ano da experiência, as faltas ao trabalho diminuíram e melhorou a produtividade e a saúde dos trabalhadores.

É algo a se pensar.

 

Adriana Fonseca é jornalista, tem 14 anos de experiência na cobertura de carreiras e empreendedorismo e já publicou no jornal Valor Econômico, na Folha de S.Paulo e na revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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