Profissional temporário em nível gerencial. Isso é possível?

Sérgio Moreira trabalha na área de finanças e, de uns dez anos para cá, tem construído sua carreira como profissional temporário, cada hora em um projeto. Profissional experiente, Sérgio foi chamado, em 2006, para fazer uma implementação por seis meses. Na mesma empresa, surgiu um cargo de controller e ali ele ficou por dois anos. Depois, a empresa que ele estava foi vendida para uma das maiores telecom do país, e ele acabou ficando em mais um projeto, para fazer a integração. Trabalho semelhante realizou em uma integração em outra telecom. “A maioria dos projetos é arrumação de casa, quando há compra e venda de empresa”, diz Sérgio. Nesses casos, é necessário um profissional com experiência para liderar o projeto e o trabalho temporário acaba durando cerca de um ano.

A experiência de Sérgio mostra que, trabalhar como temporário, por projeto, em nível gerencial é uma prática viável no Brasil. “Existem situações em que as empresas necessitam de alguém com experiência, que já sabe o que tem que ser feito. Esse profissional entra e fica alguns meses para atender uma demanda urgente e por tempo limitado”, diz Caio Arnaes, gerente sênior de divisão da Robert Half. Para se dar bem na carreira como profissional temporário, algumas habilidades são importantes. Comprometimento com o trabalho, mesmo sabendo que ele vai durar pouco tempo, adaptabilidade e flexibilidade, porque cada hora o executivo estará inserido em uma cultura corporativa diferente. “A demanda por profissional temporário aumenta de acordo com a maturidade do mercado”, diz Caio. “Vemos que, no Brasil, assim como já acontece na Europa e nos Estados Unidos, é cada vez mais comum profissionais construírem suas carreiras por projetos”.

Um levantamento da Robert Half mostrou que, em até cinco anos, os profissionais temporários deverão igualar o grau de importância dos colaboradores permanentes dentro das organizações. “Hoje, as empresas têm uma estrutura enxuta, só que os problemas administrativos e financeiros continuam aparecendo. Ter uma estrutura flexível de pessoas, que permita a contratação de temporários, ajuda a resolver questões pontuais aumentando a equipe por um período determinado de tempo”, afirma Caio. Vale deixar claro que trabalhar como profissional temporário não é a mesma coisa que atuar como consultor – como PJ. O temporário tem os mesmos direitos trabalhistas de um funcionário: carteira assinada, 13º e férias proporcionais, recolhimento de FGTS, vale transporte e seguro. Tudo válido pelo período do contrato.

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