Por meio da leitura, empresa de tecnologia conquista funcionários mais engajados

Há tempos os especialistas da Robert Half sinalizam sobre a crescente valorização do perfil comportamental de profissionais de todas as áreas, inclusive no mercado de tecnologia, em que o bom relacionamento interpessoal tem sido muito observado. Na Ravel Tecnologia, os diretores da empresa já entenderam essa tendência e, por essa razão, desde o segundo semestre de 2014 os colaboradores da empresa são convidados a participar do projeto “Escola de Lideranças”. A atividade é coordenada pela área de Recursos Humanos e, segundo o CEO da empresa Benício José Filho, a grande aposta é investir em cidadãos para formar bons profissionais. Confira mais detalhes do programa nessa entrevista exclusiva com o executivo.

Robert Half - Por que o projeto “Escola de Lideranças” foi criado e quais são os objetivos dele?
Benício José Filho
- A necessidade surgiu porque meu sócio e eu começamos a perceber dentro da empresa atitudes e pensamentos com os quais não compactuávamos. Algumas pessoas estavam desalinhadas dos valores da companhia. Então, idealizamos o projeto como uma forma de disseminar nossa cultura, criar um ambiente de proximidade entre os membros da equipe e contribuir para o processo de formação de novos líderes.

RH - Como ele funciona?
BJF - O “Escola de Lideranças” é um projeto que foca na formação do colaborador como ser humano, por meio do estudo de livros. Primeiro, a direção e os líderes da empresa decidem pelo título. Na sequência, o RH envia um e-mail solicitando que os colaboradores interessados em participar da atividade sinalizem esse desejo e indiquem em qual formato desejam receber a obra (digital, áudio ou impresso). Com esses dados, o RH adquire os materiais e distribui. A partir daí, programamos encontros mensais para o estudo, capítulo a capítulo. A proposta é que os participantes leiam o livro no momento que for mais conveniente para eles e tragam suas percepções e comentários para os bate-papos.

RH - Como tem sido a adesão dos colaboradores?
BJF - Nunca houve resistência. A participação é voluntária e sempre é muito divertido. No primeiro grupo tinham 14 pessoas. Hoje, cada grupo é formado por cerca de 20 ou 22 colaboradores, dentro de uma equipe de 60. Há um grupo fiel, de cerca de 10 ou 12 pessoas, que sempre participa. Os demais se inscrevem sempre que podem.

RH - Qual é a dinâmica dos encontros?
BJF - Eles acontecem após o horário de expediente e com previsão de duração de uma hora, mas muitas vezes esse tempo é superado porque as conversas são realmente muito produtivas. Sentamos em formato de círculo para que o bate-papo flua melhor. Durante o estudo procuramos contextualizar as informações do capítulo lido a situações que vivemos no dia a dia. O mundo vive um momento em que as pessoas estão querendo falar muito e ouvir pouco, então, guardando as devidas proporções, os encontros do “Escola de Lideranças” acabam funcionando como uma espécie de terapia em grupo.

RH - Como funciona a escolha dos livros e autores?
BJF - Fazemos um mapeamento, alinhando os títulos de acordo com o planejamento das estratégias da companhia. Constantemente, também avaliamos o quadro de colaboradores para entender quais pontos precisamos desenvolver neles.

RH - Quais livros vocês já estudaram?
BJF - Já estudamos “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” (autor: Dale Carnegie), “Alcançando Excelência em Vendas” (autor: Neil Rackham), “Ponto da Virada” (Malcom Gladwell) e “Fora de Série” (Malcom Gladwell).  Agora estamos estudando “Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes” (Stephen Covey).

RH - Quais títulos você recomendaria?
BJF - Depende do objetivo. Porém, se ele for o mesmo da Ravel, além dos títulos acima, indico todos os demais do Malcom Gladwel, bem como os do Dale Carneguie. Existe uma vasta bibliografia, porém o objetivo influencia no processo de escolha.

RH - Qual tem sido o principal benefício dessa ação?
BJF - O desenvolvimento humano. Acredito que quando um ser humano percebe que alguém se importa com ele é possível perceber sua evolução, gradualmente. O grande foco do projeto é o desenvolvimento pessoal. Em contrapartida, ganhamos colaboradores mais engajados. Periodicamente, os gestores fazem a análise da eficácia do programa e compartilham os feedbacks conosco, da diretoria, em reuniões especificas.

RH - É possível citar algo que tenha motivado a direção da empresa a dar sequência ao programa?
BJF - Sim. Fico sempre muito emotivo nos momentos em que algum colaborador comenta como começou a mudar as percepções sobre a vida após as dinâmicas com os livros. Em um destes momentos, quando estudávamos o livro “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, uma colaboradora disse que, em virtude do estudo, mudou uma atitude que tinha com a filha. Lembro que na semana anterior havíamos debatido sobre a importância de tratar as demais pessoas com o verdadeiro interesse genuíno. É muito gratificante ver como as pessoas evoluem no decorrer do treinamento.

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