Para inovar ouça as críticas do seu funcionário

Para inovar ouça as críticas do seu funcionário

Por Fernando Mantovani

Houve um tempo na história moderna da humanidade que era relativamente fácil inovar. Para quem se interessa pelo tema, recomendo que assistam a série Gigantes da Indústria, do History Channel. Naquela época, a sociedade era carente de muita coisa, isso permitiu que homens como Rockfeller, J.P. Morgan, Carnegie e Vanderbilt construíssem verdadeiros impérios a partir de suas inovações.

Hoje, isso é bem mais complicado. Não pela escassez de ideias - há muitos criativos por aí -, mas, talvez, por uma falta de habilidade em identificar e aproveitar grandes oportunidades.

Pensando nisso, o professor do Politecnico de Milano, Roberto Verganti, criou um processo de quatro passos para que empresas consigam filtrar de maneira mais efetiva as ideias que devam ser colocadas em prática. Todas as etapas são baseadas em algo que tentamos evitar a todo custo: a crítica. Acredito que por um erro comportamental, associamos crítica a algo predominantemente negativo. A abordagem de Verganti vem desmistificar isso e vai além.

A inovação está dentro da empresa

No lugar de ouvir somente de fora da empresa sugestões de novas ideias (consumidores, fornecedores, experts), ele coloca em primeiro lugar uma conversa com os próprios funcionários para que eles opinem, critiquem e proponham melhorias e inovações para a companhia. Somente na etapa final, são consideradas as ideias dos participantes externos. A partir daí, cruzam as informações e conseguem, com mais critério, tomar decisões sobre o que deve ser levado a diante.

Isso chamou muito minha atenção, pois estamos acostumados a ver iniciativas voltadas para fora – pesquisas infinitas, estudos de mercado - todas muito importantes, sem dúvida. Entretanto, há uma certa negligência com as opiniões ou ideias internas. As empresas se esquecem que seus funcionários também são seus consumidores, em maior ou menor escalada, com a vantagem de que conhecem o produto ou serviço mais de perto. Quando falamos em empoderamento dos consumidores, não devemos nos esquecer daqueles que estão mais perto de nós: nossos funcionários.

 

Fernando Mantovani é diretor de operação da Robert Half.

Este artigo foi publicado em primeira mão no blog Sua Carreira, Sua Gestão, da Exame.com.

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