Os dilemas de todo CFO

*Por Caio Arnaes

A frase “fazer mais com menos” ecoa pelos corredores de companhias de todos os portes e segmentos, mas é na sala do CFO (do inglês, Chief Financinal Officer) que ela costuma chegar em alto e bom som, se tornando uma das principais dores de cabeça deste executivo. Os sintomas se tornam ainda mais fortes quando o período econômico do país é de baixa ou o momento da empresa não é positivo. Lidar com tais problemas se torna ainda mais desafiador quando lembramos que, hoje, os executivos de finanças vivem em um ambiente mais complexo, que exige capacidade analítica afiada.

Como se já não fosse difícil o bastante, no cenário brasileiro, as constantes alterações de legislação trazem consequências aos problemas citados. A lei sobre as novas transações eletrônicas (eSocial) é um bom exemplo, pois aumenta a quantidade de controles realizados assim como a fiscalização do governo sobre a operação das empresas. Não podemos esquecer que a busca pela eficiência via controle de custos e gestão de caixa está no topo dos dilemas de todo CFO.

Para muitos, “fazer mais com menos” na área de finanças, significa ter uma equipe enxuta, com profissionais multifuncionais, que podem dar conta do recado. Por outro lado, não existe um mês em que o diretor financeiro não se preocupe se a entrega de relatórios será precisa, se o fechamento contábil está dentro do prazo, se sua operação pode correr algum risco de fraude ou se sua equipe está sobrecarregada. Então aqui temos o grande dilema de um bom CFO: como atuar em todas estas frentes de trabalho, com uma equipe enxuta? Como fazer com que a área de finanças se torne uma ferramenta para que a empresa seja mais lucrativa e ganhe mais negócios, sem pessoas para fazer isso? Passa a ser fundamental que o diretor financeiro analise todas as opções para resolver este dilema, como ter profissionais melhor qualificados dentro do seu time, contar com uma equipe flexível de consultores para atuar diretamente em um problema específico, participar de fóruns de discussão com outros diretores financeiros ou buscar apoio em outras áreas como TI, por exemplo.

Um estudo da Robert Half, nos Estados Unidos, mostra que nos últimos três anos, 80% dos CFOs viram suas funções expandidas para além da área de finanças, sendo Recursos Humanos e TI os departamentos em que essa pareceria ocorre com maior frequência. Se por um lado, os dilemas tornam o papel dos CFOs mais desafiador nas organizações, por outro lado, a capacidade de lidar com eles tem feito desses profissionais peças fundamentais e estratégicas dentro do jogo de xadrez das organizações.

*Caio Arnaes é gerente sênior da Robert Half

Tags: Liderança

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