O que a Geração Y quer – sem estereótipos

Jovens sempre foram impacientes – a constatação não é exatamente uma novidade. A ansiedade por resultados rápidos, tanto no trabalho quanto em algum projeto pessoal, é algo próprio dessa faixa etária.

Mas na chamada Geração Y essa característica foi potencializada, muito por conta dos avanços da tecnologia, que aceleraram nossas vidas e permitem acesso superveloz a qualquer tipo de informação. Junte a isso crianças que foram superestimuladas com cursos ainda na infância e adolescência e hoje, já no mercado de trabalho, querem mostrar aos pais progressos rápidos na carreira – até de forma inconsciente. Sem contar, que quando pequenos, muitos não foram preparados para lidar com a frustração e são, portanto, imaturos para o mundo corporativo.

Pode acrescentar a essa fórmula o aumento na expectativa de vida, que está fazendo com que os profissionais seniores fiquem mais tempo nas empresas – agarrados aos seus cargos e retendo conhecimento. Pronto, está dado o conflito de gerações. “Os jovens entram nas empresas e encontram um ambiente hostil”, afirma o consultor, autor e palestrante Sidnei Oliveira, especialista em conflitos de gerações, geração Y e Z. Sem a liberdade para expor suas ideias, o jovem acaba ficando pouco tempo no emprego e, muitas vezes, até busca saída para sua ambição no empreendedorismo.

“Só que nem todos serão um Zuckerberg [fundador do Facebook]”, alerta. “A grande maioria das empresas ainda tem hierarquias muito rígidas e o jovem que tem ideias e quer propor soluções não se encontra nessa estrutura”, afirma Paulo Oliveira, professor de gestão e recursos humanos da BBS Business School. Mas algumas organizações estão aprendendo a amenizar os conflitos entre jovens e veteranos. “No geral, as empresas ainda estão tateando as alternativas, mas algumas já avançaram”, afirma Sidnei Oliveira. Na visão do consultor, a saída está em proporcionar desafios ao jovem, deixá-lo com a execução dos projetos.

Geração Y vs Veterano

Mas e o veterano, onde fica? Ele ganha fôlego para sua carreira ao passar a atuar como um mentor, que participa do processo de formação de seu sucessor e está ali, por perto, para evitar que o jovem – ainda sem muita experiência, é bom sempre lembrar – faça alguma grande bobagem. Vale ressaltar que o jovem também busca flexibilidade – mas não apenas relacionada ao horário de trabalho, porque quer começar o expediente mais tarde para curtir a balada – como vem sendo estereotipado. “A flexibilidade desejada pelo jovem está muito mais relacionada à autonomia de trabalho que ele quer ter”, diz Sidnei Oliveira.

“O senso de comprometimento muda. Não é mais cumprir um horário, chegar cedo e sair tarde, e sim sentir que produziu, que trabalhou por algo que faz sentido”, afirma Paulo Oliveira. Além dos desafios constantes, que trazem frio na barriga a esse profissional ainda inexperiente, uma das saídas para ele é atuar por projetos, que trazem resultados a curto prazo. Essa realidade, no entanto, pode até estar mais evidente na Geração Y – que se apega menos a cargos e poder, como bem lembra Paulo Oliveira. Mas trata-se de uma verdade para qualquer faixa etária. “Hoje, as pessoas se relacionam com as empresas por projetos”, diz Sidnei Oliveira. “Isso de ficar permanente em uma empresa, tendo ou não trabalho, será cada vez mais difícil de se ver.” 

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