O poder motivacional da pizza

Por Patricia Alves

O dia 10 de julho homenageia uma das invenções culinárias mais apreciadas por diversas pessoas ao redor do mundo, em especial os brasileiros: a pizza. Salgada, doce, com queijo, com verdura, legumes e carnes... a criatividade do brasileiro em “inventar” novos sabores de pizza é quase proporcional a quanto a redonda é querida – e pedida – em praticamente todos os lares.

Além de saborosa, você sabia que a pizza pode ter, também, um efeito motivacional no ambiente de trabalho? Dan Ariely, professor de psicologia e economia comportamental na Universidade de Duke e no MIT, junto com outros economistas, testou, em uma empresa de tecnologia, diferentes maneiras de motivar os funcionários. O objetivo era descobrir, entre três motivadores, o que mais aumentaria a produtividade dos funcionários: um bônus em dinheiro, um voucher para uma pizza ou um reconhecimento do chefe. Divididos em quatro grupos – um para cada prêmio e um quarto que não receberia nada - os empregados receberam quotas de produção no início do dia e o prêmio seria entregue ao final da jornada, caso atingissem seu objetivo.

Após um dia de experimento, a pizza foi a maior motivadora, aumentando a produtividade dos funcionários em 6,7% em relação ao restante dos participantes. O grupo que recebeu a promessa de uma mensagem do chefe registrou um aumento de 6,6%. O pior motivador foi o bônus em dinheiro, que aumentou a produtividade em 4.9%. O dinheiro não só foi o pior dos três prêmios, mas o que teve o efeito mais curto. No dia seguinte à entrega dos bônus, os trabalhadores que receberam dinheiro foram 13% menos produtivos do que os funcionários que não receberam prêmio nenhum.

Para Ariely, que transformou o estudo no livro Payoff, esse tipo de experimento mostra o quanto as empresas poderiam ganhar caso se dispusessem a testar diferentes técnicas de motivação em seus ambientes, desenvolvendo modelos e estratégias de motivação mais adequadas aos seus funcionários. Segundo ele, todos os dias trabalhamos duro para nos motivar e para motivar as pessoas com quem vivemos, trabalhamos e fazemos. Desta forma, muito do que fazemos pode ser definido como sendo "motivadores".

Por que a satisfação no trabalho importa

Colaboradores felizes são um componente essencial de qualquer negócio em ascendência e trazem inúmeros benefícios às companhias:

·         Lealdade: colaboradores felizes são mais leais e ficam mais tempo nas empresas. A redução da rotatividade significa retenção de conhecimento institucional e menor gasto de tempo e dinheiro com contratação e treinamento.

·         Engajamento: colaboradores felizes se esforçam para alcançar os objetivos organizacionais definidos. Eles atravessam os períodos difíceis e ajudam a empresa a sobreviver a eles também.

·         Inovação e criatividade: colaboradores mais felizes tendem a ser mais inovadores e criativos. As emoções positivas, como o entusiasmo e o interesse, ajudam a ampliar o seu pensamento, consciência e tendência de explorar novas vias e abordagens.

·         Saúde: colaboradores felizes são mais saudáveis. O estresse é um dreno não só do sistema imunológico, mas também da organização. Os colaboradores que estão exaustos ou cronicamente frustrados são mais propensos a doenças e absentismo.

A felicidade também tem um efeito significativo sobre a rotatividade da equipe. Embora seja difícil calcular com precisão o custo de ter que substituir um colaborador, de acordo com estimativas da Inc.com, esse valor pode chegar a até 150% do salário anual para cobrir o recrutamento, o treinamento e os custos de perda de produtividade para contratar um novo colaborador para o mesmo cargo. Nas pequenas empresas, isso pode ter um grande impacto nos resultados.

Saiba mais sobre felicidade no trabalho no estudo: Os segredos das empresas e colaboradores mais felizes 

* Patricia Alves é especialista em relações públicas da Robert Half

Compartilhar essa página