Não busque por profissionais motivados!

Por Fernando Mantovani

O conselho do título soa estranho, não é? Vou tentar explicar: acredito que os gestores devam focar na busca e/ou retenção de profissionais comprometidos, conheçam o perfil deles com profundidade, entendam seus desejos e necessidades e, então, invistam em um ambiente que estimule sua motivação.

Quando inserido em um local de trabalho com problemas de gestão, relacionamento com pares, qualidade de vida ou remuneração, um profissional genuinamente comprometido manterá o alto nível das entregas, enquanto tenta reverter a situação que lhe incomoda ou busca por uma nova oportunidade no mercado. Já o colaborador dotado apenas de motivação tende ao rápido desengajamento, que pode contaminar outros membros da equipe e/ou comprometer os resultados da companhia.

Um atleta de alto rendimento comprometido vai cumprir sua programação de treinos, faça chuva ou faça sol, porque possui o foco pessoal de manter ou superar sua performance. É claro que ele se sentirá mais motivado para isso se contar com estrutura adequada, equipe de confiança, bons treinadores para se inspirar e bons pares para compartilhar experiências. Ou seja, a motivação pode oscilar, mas o seu comprometimento nunca estará ameaçado.

Uma forma eficaz de medir o comprometimento de um profissional é por meio de suas entregas. Mapeie colaboradores e candidatos que atendem ao que é solicitado, com a preocupação de cumprir ou antecipar prazos e/ou superar as expectativas com relação a qualidade do trabalho.

O recado aos gestores é que apenas exigir o comprometimento da equipe não basta. A contrapartida é dar o exemplo, evidenciando o seu próprio compromisso com a empresa, o trabalho e, principalmente, com a equipe. É preciso exercitar a empatia.

Vamos imaginar juntos algumas situações. Qual é o sentimento de um time quando o chefe direto marca hora extra no final de semana devido à alta carga de trabalho, mas não aparece para verificar se pode auxiliar em algo? O que pensa uma equipe que sabe que a meritocracia defendida pela empresa existe apenas na teoria e não na prática? Ou, ainda, o que sente um profissional que trabalha em uma empresa na qual ninguém se preocupa em substituir as lâmpadas queimadas?

Comprometimento é uma coisa e motivação é outra. Saiba diferenciar os profissionais que trabalham daqueles que apenas frequentam o trabalho, valorize o primeiro grupo e forme uma equipe de sucesso!

* Fernando Mantovani é diretor geral da Robert Half

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