Muitas iniciativas, mas poucas acabativas

*Por Bruno Mello

Entre os muitos ensinamentos do mestre, professor do Insper, da ESPM e Diretor de Marketing da Tecnisa, Romeo Busarello, um deles está descrito no título deste editorial. Temos muitas iniciativas, mas poucas acabativas. Olhe para você e para o seu lado. Quantas ideias já foram até colocadas no papel e de lá nunca saíram? Bom, se você chegou nesta fase, parabéns, pois já representa uma pequena parcela de profissionais que conseguem avançar um passo à frente.

No entanto, para concluir uma maratona, é preciso dar muitos passos. É necessário um longo caminho para que as ideias se transformem em produtos, serviços e/ou experiências de sucesso, que saiam do limiar de commodities para realmente fazer a diferença na vida das pessoas. Este percurso, entretanto, é tortuoso, movediço, não linear e tem muitos obstáculos. O que não quer dizer que não seja impossível. Não estou falando somente de ideias desruptivas, mas principalmente de melhorias contínuas em nossos negócios que, somadas, entregarão maior valor para o cliente e, por tabela, para a companhia.

Não é raro termos ideias de como fazer melhor o que já fazemos. Inclusive, sempre há quem tenha soluções para os problemas das empresas, mas continuamos na roda viva do dia a dia e não planejamos nem implementamos pequenas ações que podem gerar um grande resultado. Este, aliás, representa um dos principais obstáculos para a falta de acabativa: o dia a dia. Corremos quase que diariamente como bombeiros para... apagar incêndios ou estamos como cegos em tiroteio, atirando para todos os lados, fazendo mil coisas sem nenhum foco. Fora quando não trabalhamos como um relógio suíço, desenvolvendo as mesmas tarefas sempre. Simplesmente, não sobra tempo para o novo. Você chegou ao trabalho às 9h, quando olha para o relógio, já são 11h30. Almoça e quando confere de novo, 17h30. Não fazemos nada diferente, nada fora do script. Ok. Está bom.

Há casos em que a empresa, o cliente ou a sua liderança "não deixam". Bom, está aqui mais um dos obstáculos que você tem que superar. Para ter acabativas é necessário foco, determinação e muita, muita resiliência. Os incêndios vão continuar surgindo e o dia a dia não vai mudar a menos que você altere a sua rotina. É necessário olhar com atenção para o que você está fazendo e analisar se está realmente sendo importante e relevante. É tão simples como termos a consciência de que para começar algo novo, precisamos acabar o que estávamos fazendo. Se você interrompe algo no meio do caminho, era porque não era importante. E, se realmente tinha relevância, você perderá uma oportunidade.

Outro aprendizado do Romeo: a realização de grandes projetos é o somatório de muitas pequenas coisas juntas, encadeadas, com um direcionamento claro. Às vezes, vemos pessoas surpresas com o sucesso de alguma iniciativa. Para elas, parece que o êxito aconteceu da noite para o dia, mas quando você analisa, o projeto tem dois, três, cinco anos de desenvolvimento e pode ter passado por muitos ajustes no meio do caminho. As melhores acabativas levam tempo. Demandam mais sola de sapato do que reuniões de brainstorms sentado em um escritório no ar condicionado.

*Bruno Mello é fundador e editor executivo do portal Mundo do Marketing. Formado em jornalismo pela FACHA e com MBA em Gestão de Marketing pela UFRJ, trabalhou no Jornal de Turismo, na Rádio Carioca cobrindo economia, em sites e revista sobre automobilismo e no site da TVE Brasil, hoje TV Brasil. Fez Planejamento de Comunicação e Assessoria de Imprensa e Marketing para ONGs, piloto de Stock Car e para a Organização Hélio Alonso de Educação e Cultura.

Tags: Carreira, Gestão

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