Meritocracia é para todos

Existem muitos mitos relacionados à meritocracia nas empresas. O primeiro deles é de que apenas poucas empresas podem implementá-la, porque implicaria em altos custos e políticas complexas de reconhecimento. Além disso, existe a crença de que meritocracia aplica-se apenas aos talentos, ou aos profissionais que tenham alto desempenho. Em um mundo ideal, a meritocracia deveria ser para todos – é possível que companhias de todos os portes e indústrias implementem essas políticas sem necessariamente ter gastos muito altos.

A crença de que programas de reconhecimento por mérito necessariamente devem incluir pagamento de bônus é falsa. É possível motivar profissionais com treinamentos, maior flexibilidade no trabalho, dias de folga, um jantar ou uma viagem – todas essas são alternativas ao aumento de salário ou concessão de bônus. Para escolher entre essas alternativas, porém, é preciso pensar em um programa individualizado, que leve em consideração o perfil de cada profissional.

Quando o gestor se preocupa em conhecer cada membro de sua equipe, ele consegue reconhecer suas motivações individuais. Esse tratamento individual é uma tendência no mundo dos negócios, especialmente por causa da Geração Y, que se preocupa com outros valores além do dinheiro. Em nosso dia a dia de headhunters, percebemos que o que faz com que as pessoas mudem de emprego não é sempre o salário. Na verdade, muitos se sentem insatisfeitos por não serem reconhecidos ou por não conseguirem se desenvolver – mais um ponto que justifica a importância desse tema para as empresas.

Meritocracia é um conceito que envolve resultado e competência. Habilidades comportamentais devem ser parte de uma avaliação qualitativa e individualizada, enquanto indicadores e metas atingidas são parte de uma avaliação quantitativa e coletivas. Isso significa que, para implementar uma política completa, é preciso ter indicadores de gestão da performance que avaliem critérios objetivos e subjetivos, com critérios bem claros para que a comunicação seja eficiente.

Uma pesquisa da Robert Half realizada este ano com 100 CFOs revelou que 60% deles considera políticas de meritocracia muito importantes para o negócio. O próximo passo para muitas empresas é entender que é possível implementar programas simples e que mantenham seus profissionais motivados e comprometidos com resultados de longo prazo.   * Carolina Cabral é consultora de recrutamento da Robert Half

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