Igualdade de gênero nos Conselhos de Administração ainda é um desafio para as companhias

Por Juliana Porto

Já está comprovado que a participação de mulheres nos Conselhos de Administração não só beneficia a imagem como também melhora a rentabilidade das companhias. Entretanto, há desafios importantes para estabelecer a igualdade de gênero nas corporações do Brasil – e também do mundo.

O país onde a participação de conselheiras é mais efetiva é a Noruega, com 35,5% dos assentos, de acordo com dados da organização sem fins lucrativos Catalyst. Já nos Estados Unidos, a fatia é de 19,2% entre os conselheiros as empresas que compõem o índice S&P500. No Brasil, o este número é de 7%, segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Há um dado econômico relevante para a integração da mulher em papéis de liderança: a diversidade de gênero reflete um mundo onde as mulheres fazem 70 por cento das escolhas econômicas e resulta em uma melhor tomada de decisão.

Um estudo divulgado pelo banco de investimentos Credit Suisse em 2015 mostrou que companhias com pelo menos uma conselheira viram um retorno sobre patrimônio (ROE, em inglês) médio de 14,1% entre 2005 e 2015. Já nos Conselhos formados apenas por homens, o indicador caiu para 11,2 por cento.

A seleção de conselheiros valoriza experiências em cargos na alta administração e na alta gestão. Mas, no Brasil, a participação feminina em cargos diretivos no Brasil está abaixo de 5%, o que explica parte desta falta de proporção.

Fatores como a falta de percepção dos homens sobre a desigualdade entre gêneros e a valorização de atributos predominantemente masculinos ainda são obstáculos a estes avanços.

A exemplo do que aconteceu na União Europeia, o Brasil discute a possiblidade criar uma lei para determinar a reserva de 40% das cadeiras dos Conselhos para executivas em estatais. Caso o projeto de lei seja aprovado, será o primeiro país da América Latina a adotar este tipo de cota, juntando-se a outros 22 países que possuem este sistema.

Juliana Porto é jornalista desde 2005 e começou sua carreira escrevendo justamente sobre... carreiras! De lá para cá, já cobriu finanças pessoais, consumo e tecnologia em redações no Rio e São Paulo, mas sempre acaba voltando ao tema com que começou sua vida profissional.

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