Em 2021, aumente o investimento do seu tempo em pessoas

Por Robert Half on 8 de Janeiro de 2021

Por Fernando Mantovani

O ano de 2021 acaba de começar. Estamos cheios de expectativas para que a situação finalmente se normalize aos poucos e para que possamos recuperar a nossa liberdade de ir e vir com menos protocolos e menos distanciamento social. Algumas incertezas ainda nos rondam, mas uma coisa é certa: a gestão humanizada veio para ficar, ainda que a tecnologia não pare de evoluir e de automatizar as funções dentro das companhias.

A mente do colaborador é um dos principais ativos da empresa. É por meio dela que os negócios prosperam, se transformam e superam crises como a gerada pela pandemia. Considerando essa realidade, recomendo aos líderes entenderem o processo de seleção como parte da estratégia do negócio. É preciso uma análise detalhada, porém não muito demorada, para entender se o profissional selecionado tem aderência à cultura da empresa e garantir um ambiente diverso. Com relação aos que já estão dentro de casa, é importante investir em ações para a retenção dos melhores profissionais, exigindo o melhor deles, mas sem descuidar da saúde física e emocional dessas pessoas.

Recrutamento especializado

Comecei a ter uma noção da relevância do modelo de gestão humanizada no primeiro emprego que consegui na minha área de formação, a engenharia. Meu mês de estreia na empresa foi sob a supervisão de um gestor autoritário e arrogante, entre outras características que eu - por imaturidade - enxergava como qualidade. Vale ressaltar que o perfil dele era bem alinhado ao que eu acreditava ser eficiente para que o time fizesse mais e melhor. Ou seja, uma situação bastante confortável para mim.

A questão é que esse gestor foi demitido um mês após a minha contratação. O desligamento dele me fez ser transferido para a tutela de um líder com um perfil completamente oposto. Apesar de exigente, meu novo gestor da época não impunha nada a ninguém. Ele tinha uma forma gentil de influenciar as pessoas a fazerem o que queria e precisava, mesmo com toda a pressão que existia sobre o departamento. A liderança dele era pelo exemplo.

Eu me impressionava ao ver a habilidade que ele tinha com pessoas, um conhecimento que não aprendemos na faculdade e, portanto, precisamos buscar por conta própria, principalmente quando queremos chegar a cargos de gestão. Já naquela época, ele entendia que pessoas têm sentimentos ocultos, necessidade de contato, limitações particulares e desejo por serem ouvidas. Quem era gerido por ele se sentia e fazia parte do processo. 

Hoje, por experiência própria, tenho certeza de que mais do que ganhar dinheiro as pessoas querem ser felizes no trabalho. Em geral, elas esperam ter orgulho da organização na qual atuam, serem tratadas com igualdade e respeito e se sentirem valorizadas pelo trabalho que desempenham. Acredito, ainda, que a satisfação dos colaboradores é vantajosa para os resultados da empresa, pois ela os ajuda a serem mais criativos, tomarem iniciativas, se relacionarem melhor com pares e superiores, terem mais foco e serem mais produtivos. Ou seja, muito do que uma organização precisa para prosperar.

Para criar um ambiente no qual o colaborador se sinta feliz, você pode começar seguindo o conselho de Nic Marks, fundador da Hapiness Works. Certa vez, ele disse o seguinte: “Se você é gestor de uma equipe e quer fazê-la mais feliz, uma das coisas mais difíceis que precisa fazer é ajudá-los a agir de modo independente e delegar tarefas para eles. Às vezes, isso é difícil porque talvez você queira interferir, mas eles têm que aprender à maneira deles e desenvolver seus pontos fortes”.

As organizações que incluírem esses princípios como prioridade em seus pacotes de atração e retenção de talentos em 2021, certamente terão o melhor time para enfrentar os desafios que estão por vir.

* Fernando Mantovani é diretor geral da Robert Half

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