A economia da felicidade

Por Robert Half 1 de novembro de 2018

Nos últimos anos, o tema "felicidade no ambiente de trabalho" cresceu rapidamente na pauta corporativa. Enquanto a felicidade pode parecer subjetiva e específica para o trabalhador, os especialistas a compreendem como o nível de entusiasmo, interesse e satisfação que o indivíduo encontra em sua função.

O que está se tornando mais evidente, no entanto, é que as empresas que não fazem um esforço conjunto nem se engajam em prol da solução necessária para desenvolver uma equipe motivada e satisfeita, estarão em desvantagem. Não só elas serão desafiadas na retenção de talentos, mas também em manter e até acelerar a produtividade para o crescimento do seu negócio. 

Estudos têm mostrado que funcionários mais felizes tendem a ser mais motivados e têm, em média, uma produtividade 12% maior. Se fôssemos comparar este "crescimento da produtividade" com a previsão de crescimento de 3,1% do PIB global em 2018, segundo o Banco Mundial, 12% torna-se, de fato, um percentual substancial.

Em suma, quando as pessoas estão cheias de energia, elas fazem contribuições positivas que dão suporte aos objetivos de negócio e, até mesmo, em causas nacionais.

Felicidade e propósito definem o quanto pagamos por um serviço. Em uma série de experimentos realizados pelo economista comportamental Dan Ariely – referindo-se ao que ele chama de condição com propósito – descobriu-se que as pessoas compreendem que o sentido e a finalidade são importantes, mas que não necessariamente têm conhecimento da magnitude desta importância.

Nos experimentos de Ariely, as pessoas foram requisitadas a realizar determinadas tarefas – como construir itens com blocos de montar, revisar documentos e fazer origamis –, em troca de uma recompensa. Verificou-se que as pessoas esperaram ser pagas em dobro para concluir tarefas que não eram devidamente reconhecidas ou valorizadas. Em outras palavras, se elas acreditassem que seu trabalho não tivesse significado, deveriam ser pagas a mais pelo produto final.

Isso ajuda a explicar por que as organizações estão percebendo que trabalhadores felizes são mais produtivos e menos propensos a pedir demissão – porque eles sentem que o seu trabalho tem um propósito e que eles estão sendo reconhecidos por seus esforços. Portanto, incentivar a felicidade do empregado faz sentido para os negócios.

O que muitas vezes é pouco claro é como construir uma estratégia para garantir que as empresas possam manter os trabalhadores motivados e satisfeitos para induzi-los à produtividade.

O enigma da produtividade

Os níveis de produtividade em todo o mundo variam muito e a resposta de como atingir o perfeito equilíbrio não é simples. Em última análise, esta pergunta requer uma abordagem personalizada para cada empresa, e para cada colaborador. Mas isso não significa que é impossível explorar formas para melhorar as práticas de trabalho.

Por exemplo, o país mais produtivo da OCDE é Luxemburgo, onde a média semanal de trabalho é de apenas 29 horas. Isso por si só deveria fazer com que nos perguntássemos se a redução de carga de trabalho poderia, paradoxalmente, levar a funcionários mais eficientes e mais produtivos. Infelizmente, é um pouco mais complicado do que isso.

Quando a Suécia realizou um estudo de dois anos sobre a alteração da carga horária dos enfermeiros, de oito para seis horas, os primeiros resultados foram positivos – as faltas por problemas de saúde reduziram, bem como as ausências injustificadas, os níveis de energia aumentaram e os pacientes relataram experiências positivas. Infelizmente, a realidade econômica veio à tona quando o estudo perdeu o financiamento, o governo percebeu que não era conclusivo suficiente e, por fim, porque não era comercialmente viável.

Outras empresas privadas lançaram suas próprias cargas horárias de seis horas, incluindo Erik Gatenholm, que pensou que a prática poderia atrair talentos para a sua empresa de bioink, mas descartou a ideia depois do feedback negativo da equipe, um mês depois. Foi sugerido que, embora a prática possa ter mérito em um local de trabalho (como um hospital), onde os funcionários podem sair no final de seu turno, aqueles que possuíam diferentes estruturas de trabalho acharam este modelo de trabalho estressante, "como se estivessem deixando de fazer a própria lição de casa".

Podemos inferir que o orgulho e a ética no trabalho ao completar tarefas superam o desejo por uma carga de trabalho reduzida. Mais ainda, trata-se da questão de encontrar a melhor maneira de inserir significado no trabalho desenvolvido pelas equipes.

A microeconomia da felicidade no ambiente de trabalho

Embora não possa haver uma única abordagem para a felicidade no ambiente de trabalho, as empresas devem considerar os seis fatores que são uma influência significativa sobre a felicidade e, portanto, sobre a produtividade. Eles foram analisados em nosso relatório, "Os segredos das empresas e colaboradores mais felizes" e incluem: o ajuste perfeito entre o empregado, o trabalho e a empresa; uma sensação de empoderamento; sentir-se valorizado; um trabalho interessante e com propósito; senso de justiça e relações positivas no ambiente de trabalho.

Para proporcionar um ambiente feliz, as empresas precisam garantir que estes princípios estejam refletidos dentro de seus programas, política e cultura organizacional, bem como precisam incentivar os gestores a manter discussões francas com seus empregados sobre o que os motiva.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, as pessoas estão mais propensas a encontrar significado em um trabalho que causa impacto positivo sobre os outros. Portanto, a maneira mais fácil para os empregadores demonstrarem isso é evidenciando aos funcionários como seus esforços contribuem para metas comerciais mais amplas e/ou têm um impacto significativo sobre a comunidade em geral.

A felicidade faz parte da cultura empresarial?

Sim. Tudo começa ao criar uma cultura empresarial comprometida com a felicidade do empregado. Desde o início, ela deve incluir a definição em conjunto com o plano de carreira. É preciso investir tempo para entender as principais fontes de motivação dos funcionários, seus valores e perspectivas, a fim de encontrar uma maneira de direcionar a energia deles para a realização de tarefas que eles considerem significativas.

Além disso, quanto mais uma empresa define a sua própria missão, maior a probabilidade de que ela atraia e desenvolva pessoas que irão compartilhar essa finalidade. Daí em diante, é preciso manter-se próximo às ambições e objetivos pessoais dos funcionários, possibilitando ver claramente onde, como e por que eles podem estar questionando o valor do trabalho que executam.

Desenvolver a cultura da felicidade causa um tremendo impacto tanto na moral da equipe quanto na empresa como um todo, aumentando os níveis de satisfação, mantendo a competitividade da empresa e afetando diretamente o resultado final.

A cultura da felicidade também tem o potencial de conduzir a marca e a reputação da empresa – funcionários felizes entregam serviços melhores ao cliente, permitindo potenciais oportunidades de negócio, agora e no futuro.

No ambiente de trabalho atual, em que o volume de trabalho é elevado e o talento é escasso, as empresas devem se lembrar que a economia da felicidade deve desempenhar um papel mais amplo na estratégia de crescimento. Ela também irá criar um ambiente onde todo mundo deseja ir trabalhar.

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