Geração X quer ser valorizada no mercado de trabalho

Por Juliana Porto

Nascidos entre meados dos anos 1960 e final da década de 1970, os nativos da chamada geração X tendem a ocupar os principais postos nas empresas privadas e em cargos públicos. Apesar disso, é conhecida como "irmã do meio" das gerações porque muitas vezes fica esquecida na disputa entre os "baby boomers" (1946-1964) e os millenials (a partir dos anos 1980).

"A geração X é o grupo mais incompreendido na força de trabalho hoje. Eles foram ignorados por causa dos boomers brilhantes antes deles e dos millenials magníficos que os seguiram", diz a especialista em gerações Mary Donohue. Segundo ela, os empregadores precisam prestar mais atenção nesta geração, que hoje representa o capital intelectual das empresas.

A especialista nota que os nativos da geração X trabalharam mais através de recessões do que seus pais ou avós. Em sua maioria, eles são líderes executivos que estão no limite de ascenderem para cargos do chamado C-level - presidente ou diretores das empresas -, mas não estão prosperando no local de trabalho.

"Quanto mais próximos esses trabalhadores chegarem aos 55 anos, mais seus conhecimentos se tornam inestimáveis ​​para sua organização e para seus clientes", afirma Mary.

Para a especialista, se o mal-estar que hoje vivem os X não for reparado, ele pode inclusive afetar o entusiasmo dos millenials. Se as organizações começarem a prestar atenção no relacionamento com a geração X, a taxa de churn (evasão de clientes) cairá 50% e a produtividade vai aumentar 11 por cento, de acordo com levantamento feito por Mary.

Entenda a geração X

O nome surgiu a partir do livro de Douglas Coupland, "Geração X: contos para uma cultura acelerada", lançado em 1991. As mulheres ingressaram no mercado de trabalho na época de seus nascimentos, no início de uma era em que crianças ficavam sozinhas em casa após a volta da escola.

Como resultado, a geração X é independente e autossuficiente. Eles promoveram uma mudança na percepção profissional: a visão de um trabalho para a vida toda deixou de existir e apoiam a redução da burocracia corporativa.

Muitos desta geração já demonstram desdém por autoridade e horas de trabalho estruturada. Também valorizam o balanceamento entre vida e trabalho. É a primeira geração que verdadeiramente domina os computadores: uma recente pesquisa da Nielsen concluiu que eles são mais viciados em redes sociais do que os millenials.

* Juliana Porto é jornalista desde 2005 e começou sua carreira escrevendo justamente sobre... carreiras! De lá para cá, já cobriu finanças pessoais, consumo e tecnologia em redações no Rio e São Paulo, mas sempre acaba voltando ao tema com que começou sua vida profissional.

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