Flexibilidade no trabalho. Por que não?

Flexibilidade no trabalho

Horário rígido e obrigatoriedade de estar presente fisicamente no escritório vêm causando, cada vez mais, insatisfação dos profissionais com o tradicional modelo de trabalho. São pessoas de todas as idades, que não vêm muito sentido em ter que seguir os ponteiros do relógio ao invés de serem cobradas por produtividade.

Entre os mais jovens, a situação talvez seja até mais visível. “Um aspecto a se considerar é a presença cada vez maior de pessoas das gerações Y e Z no mercado de trabalho, que costuma ser mais avessa ao modelo tradicional”, lembra Flora Victoria, presidente da SBCoaching Empresas. Para contornar o problema, mais e mais empresas estão adotando um modelo de flexibilidade no trabalho.

Dentro dessa estratégia, oferecer a oportunidade de trabalho home office se torna um diferencial. 

E não é para menos. Uma pesquisa da consultoria Bain & Company com 3.300 profissionais mostrou que a adoção de políticas de flexibilização contribui para aumentar os índices de retenção nas organizações – em 25% no caso dos homens e em 40% entre as mulheres.

Benefícios de um horário de trabalho flexível

A Avaya é uma das empresas que já percebeu os benefícios da flexibilização.

A multinacional americana que oferece sistemas e serviços para comunicação corporativa, adota práticas que permitem aos seus funcionários, a possibilidade de seus funcionários trabalharem de casa sempre que sentirem necessidade. Paulo Roseira, da área de recursos humanos da companhia, diz que essa política global da Avaya acaba sendo um diferencial competitivo na hora de recrutar bons profissionais. Hoje, segundo ele, apenas 16% dos funcionários da empresa não fazem home office. “Provavelmente porque não precisaram até hoje”, diz ele.

Além do home office, a empresa oferece flexibilidade no trabalho, que é negociado diretamente com o gestor da área. “Isso tudo tem um impacto positivo no colaborador, que acaba produzindo mais porque está motivado”, afirma Roseira. Flora afirma que a flexibilidade é uma preocupação cada vez mais presente entre os profissionais de diferentes áreas. Ela alerta, no entanto, que dependendo da empresa ou da função exercida pelo funcionário, o horário de trabalho flexível pode não ser viável ou conveniente.

Flexibilidade no trabalho nas empresas do Brasil

Quanto ao modelo adotado nas empresas do Brasil, Flora diz que as práticas mais comuns são os horários flexíveis, em suas várias modalidades. A mais simples, de acordo com ela, é a possibilidade de entrar mais tarde ou sair mais cedo, desde que essas horas a menos sejam compensadas em algum momento. Há também o banco de horas, que é mais comum em empresas nas quais a sazonalidade dos produtos ou do mercado impõe jornadas de trabalho diferenciadas ao longo do ano.

Nesta modalidade, o funcionário trabalha mais quando a demanda é maior - e vice-versa. O banco de horas é posteriormente analisado para que se possa conferir se a pessoa tem horas a repor ou a receber. Ficou com vontade de ter um trabalho mais flexível? A dica de Flora é negociar o benefício com seu empregador e, caso ele não admita esse tipo de prática, talvez seja hora de procurar um novo emprego. “Porém, antes disso, é fundamental fazer uma autoavaliação para verificar se você realmente tem o perfil adequado para se beneficiar de um horário flexível”, diz Flora. “Quanto mais flexível for seu horário, maior será sua responsabilidade. Quanto mais horas livres você tirar, mais horas você terá de repor. Quanto menos controle você receber por parte do chefe ou da empresa, maior deverá ser a sua autodisciplina.

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E, acima de tudo, seja qual for o grau de flexibilidade que você tiver fechado com seu empregador, metas e prazos são sagrados.” Reflita bem sobre isso antes de tomar uma decisão. 

Tags: Equilíbrio

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