Redes Sociais, Carreira e Eleições: o seu Facebook te contrataria?

Por Robert Half 19 de setembro de 2018

Por Rannison Silva

Em época de eleições, atire a primeira pedra quem não tem as timelines de suas redes sociais tomadas por defesas apaixonadas a candidatos, partidos ou ideologias políticas. E por lá, na Timelineland, todo mundo tem razão, todo mundo sabe qual é a solução para os problemas do Brasil. Que sorte a nossa! Mas, com tanta gente sábia junta, começa um verdadeiro festival de destros e canhotos se ofendendo, louvando o mais novo messias ou excomungando o vilão que é a raiz de todo o mal. E quem disser o contrário, “tá errado”, “é pouco informado”, é isso e aquilo outro, é o inimigo.

Se alguém seguir sempre para a direita ou para a esquerda vai andar em círculos. Além disso, por mais que uma pessoa escreva com a mão direita, ela não manda amputar a esquerda, não é? Óbvio que não, porque ambas têm funções a desempenhar. Então, por que, quando o assunto é política, coisas tão básicas são completamente esquecidas e o “modo sobrevivência” é ativado? Seja por que for, o fato é que, quando o ativamos, normalmente, dizemos o que não deveríamos.

Fique atento à maneira que você expõe seus pensamentos

“Ora, mas isso é liberdade de expressão pura e simples, não é mesmo?” É sim, viva a liberdade de expressão e a diversidade de ideias! Mas...cuidado! Shakespeare já nos dizia que “Seja como for o que penses, creio que é melhor dize-lo com boas palavras”. E esse conselho nunca foi tão valioso e necessário. Até porque não custa nada (nada mesmo!!) ser um pouco elegante ao expressar as nossas ideias.

A forma de defender as ideias, o conteúdo das postagens e até a frequência com que as faz podem, sim, dizer muito sobre alguém, não se engane. Se o seu Netflix te sugere filmes por entender do que você gosta, é bem provável que suas redes sociais já tenham ideia de como você se comporta, não acha? E se isso fosse considerado em um processo seletivo, você teria feito aquela postagem mais grosseira? E aquele comentário mais ríspido, você teria feito? Enfim, o seu Facebook te contrataria?

“Mas que absurdo! Então você está falando que as empresas vão me selecionar pelas minhas convicções políticas?”. Não, estou dizendo que elas podem e vão, sim, sempre escolher aquelas pessoas que saibam lidar com as diferenças de uma maneira construtiva. Repetindo Shakespeare de outra forma: Não é o que você pensa e fala, mas como você faz isso.

“Entendi, mas porque eu deveria me preocupar com isso?”. Pelo mesmo motivo que você deveria se importar com o que fala e faz nas suas relações sociais reais. Porque: (i) você pode ofender pessoas, o que nunca é recomendável e, especialmente, (ii) porque certas coisas, ao serem ditas, dificilmente podem ser contornadas. E isso pode, sim, pesar num processo seletivo. Intolerância custa caro.

Defenda suas ideias de maneira polida não só no Facebook, mas também na vida

Como um país, uma empresa é uma organização. E para se resguardar, elas são muito criteriosas no momento da seleção dos profissionais (às vezes, mais até do que os países). É comum as organizações procurarem saber um pouco mais dos candidatos, inclusive por meio das redes sociais. Então, defenda sim as suas ideias, mas procure fazer isso com “boas palavras” e dose cavalar de tolerância com quem defende ideias diferentes das suas. Não te custa nada e pode render bons frutos. É um excelente investimento, não acha?

Dica: se houver a chance de você se arrepender no futuro, melhor não postar!

Atualmente, pensar fora da caixa é conseguir se colocar no lugar do outro e, portanto, sair um bocadinho da própria caixa. Então, se ao fazer um comentário ou uma postagem você sentir que, daqui a 4 anos, pode se achar um tolo por ter defendido aquele político ou partido com tanto fervor, faça um favor a si mesmo e aos seus e não caia nessa!  Lembre-se: você é o que você posta.

*Rannison Silva é gerente de negócio da Robert Half

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