A primeira impressão é a que fica? Tomara que não!

Por Robert Half 27 de setembro de 2017

Por Luiz Grecov

O candidato passou por todas as etapas, com grande destaque: entrevista com o RH, dinâmica, entrevista com o supervisor direto, painel... Durante todo o processo deu respostas inteligentes, mostrou-se resiliente nos momentos de maior dificuldade e apresentou proatividade na resolução de problemas. Todos finalmente estavam de acordo, “encontramos!”.

A partir daí tocaram-se os procedimentos padrão: documentação, exames, homologação. Tudo em ordem, agora é só o escolhido vestir, orgulhosamente, a camisa da empresa. Ah, não, espera, falta uma etapa importante, aquela em que o jovem candidato maravilha vai, entre outras coisas:

- imergir na visão, missão e valores da empresa;

- abraçar e por em prática o propósito da companhia;

- descobrir quem são seus colegas de trabalho, o que fazem e como fazem;

- conhecer medidas de segurança;

- conhecer a história da empresa, com todos os seus detalhes...

Chegou o grande dia da integração. E aqui, se aquela velha frase “a primeira impressão é a que fica” for verdadeira, bem, digamos que, para muita gente, esse primeiro encontro não vai deixar algo que se possa chamar de “boa imagem”. Isso porque, nessas ocasiões, o que mais vemos são apresentações de baixa qualidade, realizadas em ambientes pouco ou nada acolhedores. Além, é claro, do excesso de informações às quais são expostos os novos integrantes. O resultado, claro, não poderia ser muito diferente: cansaço, fadiga e pouquíssima absorção de informações. No fim, esse “rito de passagem” acaba ganhando ares burocráticos e acontecendo por mera formalidade.

Mas, se a integração é uma grande oportunidade de causar um relevante impacto inicial, porque não fazê-la acontecer de um jeito mais interessante?

Esse evento padece do mesmo mal que muitos dos eventos corporativos: informação e conhecimento sem design, tratamento, facilitação e comunicação adequados, ou seja, uma experiência nociva, maçante e ineficaz.

Não basta simplesmente selecionar informações e conteúdos e deixá-los disponíveis, acessíveis ou simplesmente transmiti-los na esperança de que, como num passe de mágica, despertem a atenção, construam o conhecimento e sinalizem as ações corretas.

Os conteúdos precisam ser modelados e trabalhados para que a experiência das pessoas com eles seja prazerosa e efetiva. Para isso ocorrer é necessário que haja interações mais colaborativas, envolventes, humanizadas e que gerem sentido.

Na prática:

- Missão, visão e valores, para as empresas que ainda têm apreço por essa forma, são guias para as ações da companhia como um todo, mas em geral são apresentadas na forma de textos despidos de sentido. Sabe aquela máxima “não conte, mostre”? Pois é, trazer as pessoas que tornam a empresa aquilo que ela é - e suas histórias - para o centro do evento é uma forma de tornar mais palpável aquilo que está no papel e também de valorizar quem já está na casa.

- A base de qualquer comunicação eficiente é o diálogo, a troca. Lembram-se daquela aula chata que parecia durar horas? Como foi difícil suportar a artilharia pesada de informações!
Abrir espaço para que as pessoas se expressem, questionem e participem ativamente da construção do conhecimento é um grande avanço. O que será que elas esperam da nova empresa? O querem conquistar, pessoal e profissionalmente? E como elas acham que poderão chegar lá a partir de agora? Por que não ouvi-las e, quem sabe, criar um painel com essas informações e, de algum modo, acompanhar esse progresso? Se a ideia é integrar, o novo colaborador deve abrir espaço para a empresa, mas a empresa também deve abrir espaço para o colaborador.

- Por fim, tempo e espaço adequados podem fazer toda diferença. Será que tudo precisa acontecer em um só dia? Em algumas poucas horas? Por que não pensar em uma trilha? Afinal, sempre levamos um tempo para nos acostumar com qualquer mudança, então por que não ter mais calma e paciência para que ela seja melhor absorvida?  E lugar, bem, nada como nos sentirmos acolhidos e confortáveis, e o ambiente tem papel fundamental nisso. Nesse sentido, será que um auditório frio, com cadeiras universitárias e enfileiradas vai causar esse efeito? Dentro das circunstâncias de cada empresa, é importante preocupar-se em criar um ambiente que estimule a participação, a troca e que passe uma mensagem de receptividade.

A boa notícia é que já tem muita gente se atentando para isso. Não foram poucas as empresas com as quais tivemos contato, enquanto consultoria de comunicação, que expressaram o desejo de melhorar a integração e criar uma experiência mais positiva e diferenciada para seus recém-chegados. Para essas e outras que, talvez a partir desse post, passem a pensar nisso, espero que algumas das dicas aqui sejam úteis. E, claro, por favor, sintam-se à vontade para comentar aí embaixo e compartilhar também suas experiências. Tenho certeza de que podem colaborar com as de outros.

* Luiz Grecov é especialista em comunicação da La Gracia, uma consultoria que acredita na empatia e na humanização da comunicação como chave para a construção de um mundo com mais sentido

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