Diversidade: movimento positivo e não medida desesperada

Por Robert Half 2 de setembro de 2019

Fernando Mantovani

 

O tema diversidade tem sido muito abordado dentro e fora das empresas. Eu gostaria de te convidar a refletir sobre um ponto específico do assunto, que eu acredito estar na raiz da questão: “O quanto você aceita o pensamento diferente do seu, independentemente da origem, crença, condição ou opção do outro?”

Questiono isso porque vejo profissionais de diferentes gerações e níveis de instrução acostumados a pensar e agir de uma forma engessada, assumindo de maneira automática que o que é diferente não serve, não funciona ou é ruim. Isso é muito negativo para tudo o que engloba o mundo corporativo, inclusive a diversidade.

Por tudo isso, sugiro que os líderes interessados em estimular a implementação de uma Política de Diversidade na empresa verifiquem se há resposta afirmativa para as quatro perguntas abaixo:

 

  1. A alta gestão está de acordo? O primeiro passo para implementar uma Política de Diversidade é ter certeza de que há um desejo genuíno dos integrantes do board da empresa em fomentar a ação. Isso porque o pensamento diverso tem que vir da diretoria, cascateando para as demais camadas da hierarquia.
  2. Todos estão dispostos a mudar? Em geral, mudanças que envolvem cultura doem, geram desconforto, exigem aprendizado, tiram da zona de conforto e dão trabalho. Isso tudo não quer dizer que a iniciativa seja ruim. É apenas um alerta de que ela vai demandar disposição, vontade e abertura para mudar, agir e fazer a diferença.
  3. Faz parte dos seus planos ouvir a equipe? Antes de sair propondo mudanças na empresa, abra canais de comunicação com colaboradores de todos os níveis para entender como eles se sentem em relação à diversidade. Isso vai te dar uma visão ampla sobre onde estão as barreiras e o que pode ser feito para superá-las.
  4. Há disposição para perder profissionais? Mudanças na cultura da empresa podem refletir na perda de alguns profissionais mais conservadores que não se adequem ao novo momento, se incomodam ou se sentem preteridos. Isso não deve ser um impeditivo para que a ação vá adiante, afinal, o tema diversidade é pertinente. Se o profissional não tem mais aderência aos princípios da companhia, o melhor é que ele vá em busca de algo que o faça mais feliz. Sem contar que, em muitos casos, rotatividade é ótima oportunidade para oxigenar os conhecimentos da equipe.

 

É impossível mudar a cultura de uma empresa da noite para o dia. Então, se há a intenção de tornar a empresa mais diversa, comece agora, enquanto ainda há tempo para escolher caminhos, traçar estratégias e envolver os colaboradores no sentimento positivo de criar um ambiente mais acolhedor.

Já começo a ver no mercado empresas conservadoras que, muitas vezes sem perceber, enfrentam problemas para atrair e reter talentos que buscam ambientes onde as diferenças são abraçadas. É possível que, em pouco tempo, a ação positiva vire uma medida desesperada nessas organizações.

Você não quer fazer parte disso, certo?

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* Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half

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