Dinheiro x Propósito: um equilíbrio possível?

Por Robert Half 13 de dezembro de 2017

Por Luiz Grecov

Talvez você já tenha ouvido a narrativa sobre dois homens que trabalhavam talhando blocos quadrados de granito quando alguém lhes perguntou o que estavam fazendo. O primeiro operário, com uma expressão amarga, respondeu que estava cortando aquela “droga” de pedra para fazer um bloco. O segundo, que parecia feliz com o seu trabalho, replicou orgulhosamente que fazia parte do grupo que estava construindo uma catedral. Salvo uma mudança ou outra, a essência da história é essa e já me deparei com ela mais de uma vez, sendo a última no livro “A Hora da Verdade”, de Jan Carlzon. Na publicação, o executivo relata o trabalho realizado por ele e seu time entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980 em uma companhia sueca de aviação, a SAS. Nesse período, eles conseguiram interromper uma série de resultados negativos e realizar uma verdadeira virada na história da empresa.

A parábola da construção da catedral foi usada por Carlzon como resumo daquilo que ele acredita ter tornado tal façanha fosse possível. Segundo ele, “o trabalhador que pode vislumbrar toda a catedral e que recebeu responsabilidade de participar de sua construção é uma pessoa muito mais satisfeita e produtiva do que aquela que vê somente o granito diante de si”.

Se há quase quatro décadas já se entendia o propósito como relevante para o sucesso de uma companhia, hoje ele já passa a ser encarado como peça fundamental, ainda que o desafio tenha aumentado na mesma proporção.

Num mundo cada vez mais complexo e competitivo, muitas empresas ainda são geridas na base da busca constante por resultados melhores, com indicadores rígidos, metas agressivas e a promessa de recompensas a cada objetivo alcançado, ao mesmo tempo em que, para cada vez mais gente, a simples tarefa de levantar da cama e se dirigir ao trabalho tem se tornado árdua. Claro, falo ainda de uma camada “privilegiada” da sociedade, mas para esses, é como diz a música, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, “a gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade (...)”.

Com informação de sobra, alguns têm conseguido escapar da caverna e enxergar além das sombras nas paredes, vislumbrando novas possibilidades. Iniciativas aqui e ali mostram que é possível criar um ambiente de trabalho mais gratificante e humano, o que gera a expectativa por algo melhor em quem ainda não faz parte desse mundo. Sem falar na fantasia do empreendedorismo a todo custo, aquele do tipo “larguei tudo pra viver meu sonho” que, bem sabemos, não é um caminho fácil, mas certamente sedutor. É cada vez mais comum toparmos por aí com fórmulas mágicas para que isso seja possível, mas que, muitas vezes, têm como único efeito gerar frustração naqueles que não conseguem enxergar saída fácil para escapar da sua rotina e dos seus compromissos para arriscar tudo numa jornada mítica em busca de sucesso e felicidade.

Mas em meio a esse cenário, a chave para o equilíbrio proposto no título desse texto talvez possa ser encontrada na parábola apresentada no início. Nela, aquele trabalhador que conseguiu ter uma visão do quadro geral passou a enxergar em sua tarefa algo maior do que o próprio ato em si e, com isso, sentiu-se parte de algo. Sendo o senso de pertencimento uma necessidade básica humana, as empresas que conseguem definir um propósito claro e comunica-lo da mesma maneira podem estar mais perto do sonhado engajamento, principalmente se sua busca está, de algum modo, relacionada a um impacto positivo, seja no seu entorno ou para um segmento específico da população. Com isso, a ideia de comunidade e cooperação se potencializa ainda mais e, aí sim, estamos diante de um equilíbrio não só possível como também necessário para a construção de um novo jeito de se fazer negócios e, por que não, de um mundo melhor!

* Luiz Grecov é especialista em comunicação da La Gracia, uma consultoria que acredita na empatia e na humanização da comunicação como chave para a construção de um mundo com mais sentido

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