Eles trocaram de emprego – e não foi por um salário maior

Em muitos setores, os salários pagos a executivos no Brasil já estão entre os maiores do mundo. Sim, isso mesmo. São remunerações que se igualam ou superam o contracheque de profissionais que ocupam vagas semelhantes em países desenvolvidos. Diante desse cenário, nem todo mundo troca de emprego buscando um salário maior. Se o que entra na conta bancária no fim do mês está mais do que bom, há profissionais que se dão o direito de mudar de empresa por motivos que vão além do financeiro.

É o caso de Pedro*, 35 anos. Após 14 anos trabalhando no setor farmacêutico, sendo os últimos nove em uma multinacional alemã, ele decidiu mudar de ramo. Trocou um cargo de gerente por outro, só que agora está em uma varejista brasileira. O motivo da mudança? Não foi dinheiro. “Aceitei a proposta para conhecer um novo mercado, pois minha experiência profissional sempre foi na área comercial, mas basicamente na indústria farmacêutica”, conta o executivo. “Nunca tive receio de desafios e esse foi o motivo da mudança.” Na troca de cadeiras, Pedro afirma ter mantido os rendimentos. “Salário um pouco maior, mas os benefícios ficaram bem abaixo.”

Para Marcelo*, 40 anos, a mudança recente de emprego também teve outros fatores motivadores, que passaram longe da remuneração. Ele estava em uma multinacional de tecnologia há pouco mais de quatro meses, ocupando o cargo de analista, quando percebeu que não se encaixava na cultura da empresa. “A cobrança e a competição interna eram excessivas e valorizadas pela chefia. Além disso, a hierarquia era muito rígida e não havia espaço para expor minhas ideias”, afirma. O ambiente de trabalho já não estava agradando e o longo deslocamento diário começou a pesar. “Cada hora me colocavam em um cliente, diferente do que foi combinado inicialmente, e cheguei a ter que trabalhar em uma cidade a quase duas horas de distância por algumas semanas”, desabafa.

Com tantos contras, a saída foi se colocar no mercado novamente e logo uma oportunidade apareceu. Uma empresa com a qual Marcelo se identificava mais – “respeitavam mais a minha experiência e o meu conhecimento” – e que ficava a apenas 20 minutos de casa – um luxo em uma cidade como São Paulo. Decisão tomada e carta de demissão entregue, mesmo que o novo emprego pagasse 20% menos do que ele ganhava na multinacional.

*A pedido dos entrevistados, alteramos seus nomes e não citamos as empresas envolvidas.

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