Diversidade: como ser um líder inclusivo

Por Adriana Fonseca

A diversidade está cada vez mais presente no ambiente corporativo. Um bom líder, portanto, deve saber lidar com pessoas diferentes e, ainda mais, precisa saber como incluí-las na dinâmica de trabalho para que a produtividade alcance seus níveis máximos.

É por isso que ser um líder inclusivo é tão importante hoje em dia. Muitas companhias, para não perder talentos, já criaram comitês de mulheres e LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Sem contar a diversidade cultural, com a presença de profissionais de diferentes países em um mesmo escritório. Nesse cenário, ser um líder inclusivo não é somente a coisa certa a se fazer, é questão de sobrevivência. É preciso aprender a administrar e potencializar um time diverso.

Abaixo, as dicas de Jim Morris para ser um líder inclusivo. Morris é diretor da Moementum, uma consultoria de treinamento que foca nas pessoas como centro da liderança, e professor de uma série de cursos de liderança em escolas como a Duke University e a Virgina Tech.

  • Reconheça seu viés inconsciente, e seja humilde sobre isso

É impossível compreender todos os valores, crenças, normas e rituais que são importantes para cada pessoa no trabalho, mas trabalhe para compreender o seu próprio viés inconsciente sobre o que você presume sobre os outros.

Observe, por exemplo, que suposições você faz de quem faz anotações nas reuniões e de quem não faz. As mulheres, por exemplo, costumam ser mais questionadas. Será por isso que tomam mais notas?

Fazer suposições não é ruim ou errado, é parte de como as pessoas compreendem as coisas rapidamente. O problema está em fazer suposições quando você nem sabe que as está fazendo.

  • Deixe claras as regras não escritas

Toda organização tem normas culturais. Só que se essas regras não estão escritas em lugar algum, apenas são tratadas como já conhecidas por todos, pode ser difícil para novos membros de grupos diversos conhecê-las. Isso é particularmente verdadeiro em times globais, que reúnem pessoas de diferentes culturas.

  • Não negligencie as coisas pequenas

Quando você testemunhar alguém sendo rude ou desdenhando outra pessoa, chame para conversar. Não foque em achar culpados, mas coloque o que você observou e sugira alternativas que incluam todos. Um exemplo: se você perceber que algum funcionário está ignorando (ainda que de forma inconsciente) as contribuições de uma colega mulher nas reuniões, diga: “Eu concordo com o que a Maria disse antes...”

  • Entenda as vantagens com as quais você nasceu

Raça, gênero, orientação sexual, cultura, deficiência física e prática religiosa oferecem diferentes níveis de acesso e privilégio. Até mesmo coisas simples, como andar pelo estacionamento da empresa à noite, podem não ser seguras da mesma forma para todos. Líderes inclusivos reconhecem que os membros de sua equipe têm diferentes considerações sobre aspectos diversos e compreendem que eles podem abordar a mesma situação de forma diferente por conta disso.

  • Acredite que as pessoas são criadas iguais, mas não da mesma forma

Líderes inclusivos são capazes de observar e conversar sobre diferenças sem fazer as pessoas se sentirem objetificadas ou evidenciadas. Gestores conseguem maior sucesso nisso quando eles veem as qualidades únicas de cada indivíduo da equipe.  Um exemplo? Ao invés de simplesmente não dar oportunidade a quem se tornou pai ou mãe, entenda que isso, agora, é parte daquela pessoa. Você pode continuar exigindo o mesmo padrão de qualidade desse novo pai, mas também deixe claro que ele pode sair cedo para pegar seus filhos na escola.

Vale lembrar que a inclusão é a habilidade que faz a diversidade existir no trabalho, e a diversidade aumenta as chances de sucesso das empresas.

* Adriana Fonseca é jornalista, tem 15 anos de experiência na cobertura de carreiras, empreendedorismo e startups e já publicou no jornal Valor Econômico, na Folha de S.Paulo e na revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

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