Saúde mental x carreira: qual é a hora de "dar um passo para trás"?

Por Robert Half on 28 de julho de 2021

A notícia de que a ginasta norte-americana Simone Biles havia desistido de disputas importantes nos Jogos Olímpicos de Tóquio trouxe à tona um tema que passou a ser mandatório nas empresas, principalmente após a pandemia: a importância da saúde mental.

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Uma pesquisa da Robert Half mostrou que 38% dos profissionais empregados brasileiros entrevistados para a o ICRH acreditam que, durante o período de pandemia, sentiu pioras em sua saúde mental e seu bem-estar. Felizmente, entre todos, 58% têm buscado ajuda em meditação, yoga, atividades físicas em casa ou terapia on-line. Mas, como será que estão os outros 42%?

A hora de dar um passo para trás

De acordo com a The School of Life, a saúde mental pede de nós uma aceitação de que ela pode se manifestar mesmo quando temos uma vida farta e significativa. Por isso, não deveríamos relutar para buscar ajuda. Deveríamos ser proativos da mesma forma que fazemos quando sentimos uma dor no peito ou no joelho. E, mais importante, não deveríamos nos considerar menos dignos de amor e simpatia.

E foi o que a atleta fez. Mas e no mundo corporativo, como reconhecer que é a hora de dar um passo para trás?

São altas as possibilidades de alguém ter depressão no seu trabalho. Pode ser um colega, seu chefe ou até mesmo você. De acordo com pesquisa da Universidade de São Paulo em onze países, o Brasil lidera os casos de depressão e ansiedade durante a pandemia do novo coronavírus.

Confira dicas de como cuidar da sua saúde mental

Reconheça os sinais

Você está cansado o tempo todo e mal consegue cooperar com colegas. É difícil se concentrar ou ter uma atitude positiva - e a vontade é de não fazer nada. Junto com a moral, a sua produtividade está no ralo. Tem gente que acaba gastando muito mais tempo em atividades do trabalho, enterrando-se em tarefas para evitar emoções. Pode ser a hora de buscar tratamento.

Procure um médico

Se você tiver uma gripe forte ou sinais de diabetes vai atrás do tratamento adequado, certo? A depressão não é diferente de qualquer outra condição crônica. Especialistas alertam que é possível tê-la e manter uma vida independente e produtiva. Só que é importante identificar a doença, obter a medicação - se for o caso - e cumprir corretamente as ordens médicas.

Decida quando e se vai falar para o seu chefe

O tipo de empresa em que você trabalha e o relacionamento com seus supervisores interferem no quanto você vai abrir sobre a sua depressão. Considere estes fatores - e o tipo de tratamento que você precisa - para determinar as informações que você se sente confortável em compartilhar. 

Cuide do corpo e da mente

Olhar para a sua saúde física vai ajudar a dormir melhor e a se alimentar de forma adequada (mesmo quando é difícil colocar comida na boca). Uma ideia é fazer caminhadas ou até tentar uma corrida, mesmo de leve - as endorfinas se agitam e podem aliviar alguns sintomas de depressão. Se puder estar ao ar livre e próximo a um parque ou a natureza, tanto melhor. A meditação também ajuda algumas pessoas com depressão ou estresse. Não precisa de método: uma respiração profunda e lenta nos oxigena e nos faz sentir melhor.

Conte com ajuda de seus pares e familiares

Condições como a depressão deixam as pessoas mais fechadas, mas os colegas no trabalho podem ser uma ótima fonte de ajuda. Considere se abrir com os amigos e familiares mais próximos. Certamente eles estarão dispostos a ajudar. Quem convive com alguém em depressão, no trabalho ou em casa, e percebe que há algo errado, também pode ajudar. Respeitar os limites, no entanto, é fundamental.

As empresas estão de olho na saúde mental dos colaboradores

Pesquisa da Robert Half com 1.500 executivos de cinco países, incluindo Brasildescobriu que 37% dos empregadores estão cientes que seus funcionários estão lidando com altas cargas de trabalho e estão à beira do esgotamento devido à pandemia de COVID-19. Em resposta, 42% das empresas pesquisadas começaram a oferecer auxílios em saúde mental, e 32% desenvolveram programas gerais de bem-estar para seus funcionários.

O que mais as empresas e seus líderes podem fazer?

  • Encarar o tema como prioridade e reconhecer que tratar do assunto é fundamental
  • Estar abertos ao diálogo para entender como a equipe está se sentindo
  • Brainstorm de ideias para reduzir o estresse e o esgotamento.
  • Práticas a empatia: Como sua equipe está se sentindo e lidando com os elementos de estresse?
  • Manter chamadas individuais regulares com os membros da equipe.
  • Contar com profissionais para projetos para aliviar altas demandas de trabalho 
  • Incentivar períodos de descanso (férias, day off)

Para os profissionais, fica a mensagem de entender o seu momento, e reconhecer que algo não está bem. Para as organizações, fica a dica: dentro de uma empresa, as pessoas - incluindo todas as faixas da pirâmide organizacional - são o bem mais valioso, porém o mais complexo e menos compreendido. Por isso, é preciso sempre buscar formas de cuidar bem dos colaboradores antes que eles encontrem a valorização e o acolhimento na organização concorrente.

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