O poder do “não”

Por Robert Half 30 de outubro de 2017

Por Fernando Mantovani

Imagine a seguinte situação “hipotética”: segunda-feira pela manhã. Você planejou sua agenda da semana, organizou seus horários, tarefas e prioridades e, apesar da agenda cheia, conseguiu encaixar tudo e vai entregar todos as tarefas e projetos no prazo. Sexta-feira, final do dia. Você revê todo o planejamento e percebe que sua lista de pendências não só não foi cumprida como está maior do que aquela do início da semana.

Se identificou? Situação hipotética, mas nem tanto, não é verdade? Ao longo da nossa carreira, somos induzidos a pensar que para sermos reconhecidos como bons profissionais precisamos dizer sim o tempo todo, ignorando programação e tarefas previamente estabelecidas. Principalmente, quando alguém do alto escalão nos solicita para algum projeto ou, às vezes, tarefas que sequer competem a nós executar. E assim vamos acumulando tarefas, conflitando prazos, apesar de todo esforço para entregar tudo.

Dizer sim para tudo não nos fará subir mais rápido na carreira. Pelo contrário, pode nos estacionar. Podemos acabar sendo percebidos como secretários particulares de algum superior ou o faz tudo da área. E quem faz tudo, acaba não fazendo nada. E muito menos sendo reconhecido.

O “não” que valoriza...

Flexibilidade e resiliência estão entre as habilidades comportamentais mais demandadas pelas empresas hoje. No entanto, isso não significa estar disponível a todo momento. Um não oportuno ajuda a valorizar seu trabalho e seu tempo.

É importante entender que o “não” nem sempre significa “negação”. Quando bem utilizado no ambiente de trabalho, pode indicar responsabilidade e compromisso. Demonstra a impossibilidade ou improbabilidade de se realizar algo com o potencial máximo, sem comprometer outras tarefas. Não vale a pena, por exemplo, desmarcar uma reunião de equipe ou com um cliente em potencial porque o chefe fez um pedido em cima da hora que não é urgente nem fundamental naquele momento.

... e nos dá um limite

Negocie! Pergunte prazos, explique os projetos em andamento e as possibilidades para que a demanda surpresa seja atendida. Isso vale para os pedidos do seu chefe, dos seus pares e de seus subordinados. Neste último caso, dê o exemplo. Sempre que possível, evite pedidos de última hora e respeite o planejamento de sua equipe. Um bom profissional é aquele que honra com seus compromissos, estabelece prioridades e sabe dizer não quando é preciso.

* Fernando Mantovani é diretor geral da Robert Half

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