Como demitir um funcionário sem constrangimentos?

Por Robert Half 3 de julho de 2019

Demitir um funcionário não é fácil ou confortável para um gestor, e menos ainda para o colaborador que está perdendo o emprego. Ambos sabem o que está em jogo quando essa decisão é tomada — todos precisam se sustentar, pagar contas. Alguns têm família, filhos e outras responsabilidades. No entanto, as substituições precisam acontecer.

É necessário ter em mente que, a depender da postura que o gestor assume, a experiência pode se tornar menos traumática. O objetivo deste post é justamente informar como demitir um funcionário sem causar constrangimentos. Para conferir algumas dicas que agregarão valor à relação entre gestores e funcionários, mesmo em um momento difícil como esse, e também ao restante da equipe, continue a leitura deste conteúdo.

Quais são os motivos para considerar uma demissão necessária?

Alguns fatores podem ser considerados ao avaliar se um funcionário deve ou não ser demitido. São eles:

  • o colaborador deixa o ambiente de trabalho com a energia negativa — reclamações, intrigas e dificuldade de se relacionar podem gerar esse “peso” entre os colegas;
  • a produtividade está baixa, mesmo após conversas;
  • o funcionário não considera metas e objetivos da empresa como prioridade;
  • os colegas de trabalho fazem reclamações sobre comportamentos e atitudes.

Como demitir um funcionário da melhor maneira?

Não há uma forma fácil de demitir um funcionário, isso é um fato. Porém, a experiência pode se tornar menos desconfortável para ambos se houver, principalmente, sensibilidade e segurança por parte do gestor. A seguir, confira algumas dicas para tornar o momento da demissão menos constrangedor.

Escolha o momento e o local ideal

É ideal que essa seja uma conversa particular. Certifique-se de que você e o colaborador terão privacidade para dialogar, e de que não serão interrompidos. Também não funciona tratar desse assunto por telefone, e-mail ou mensagens de aplicativos de celular. Lembre-se de que o funcionário, por mais que esteja indo embora, merece consideração.

Seja educado, mas também direto

De maneira nenhuma seja ríspido nesse momento. A situação é delicada e exige tato; grosseria pode tornar tudo muito mais constrangedor e invasivo. Seja educado, escolha bem as palavras, de preferência pense no que vai falar antes da reunião. No entanto, não é preciso dar voltas para abordar o assunto. Dê o tom do diálogo logo no início, fazendo o funcionário entender que essa será uma conversa definitiva. Não fale demais e não caia em contradições.

Também não é adequado dizer que ajudará o colaborador a encontrar outro emprego, pois pode soar falso. Porém, caso seja possível, uma carta de recomendação pode ser a confirmação de que a relação com a empresa terminou, mas que não há ressentimentos ou motivos para mágoas.

Seja profissional acima de tudo

Muitas vezes os gestores criam laços de amizade com os colaboradores, e podem acabar tendo um momento desastroso na hora da demissão por colocar as relações pessoais em primeiro plano. É preciso ser profissional e saber separar as coisas, além de deixar isso claro ao funcionário. É preciso maturidade para que, após a demissão, a amizade prossiga.

Mantenha-se calmo

Controle as emoções como ansiedade, raiva e tristeza. Deixar que o funcionário perceba o descontrole pode afetar na reação dele, que pode passar a ser imprevisível. Quanto mais calmo o gestor estiver, mais segurança passará para o trabalhador, que por sua vez, tende a ficar mais controlado e menos confuso no decorrer da conversa.

Respeite a reação do funcionário

A reação de um colaborador diante de uma situação como essa é imprevisível, mesmo que ele já esteja recebendo feedbacks negativos há algum tempo. Pode acontecer algum momento de choro, de desabafo, ou uma reação equilibrada. É preciso ter em mente que é preciso respeitar o momento do funcionário.

Muitas coisas passam pela cabeça durante a conversa definitiva, e também um turbilhão de sentimentos como insegurança, sensação de impotência, raiva, ou até mesmo alívio. As reações podem variar de acordo com a situação. Apenas deixe que o colaborador tenha o momento de fala.

Comunique o restante da equipe

Após a demissão, é importante comunicar ao restante da equipe, de forma objetiva, que o ex-colega foi desligado de suas antigas funções, com o cuidado de não o expor. Isso evita que especulações sejam feitas e transmite a mensagem de que a gestão se importa em dar satisfações aos funcionários.

O que não deve ser feito no momento da demissão?

Você já conferiu algumas dicas para tornar o momento da demissão menos penoso, mas saber como não deve se portar também é importante para se vigiar caso precise passar por essa situação.

Não planejar a demissão

Não planejar a reunião pode fazer com que a comunicação entre gestor e funcionário não ocorra da forma como deveria. Em cima da hora não haverá tempo para preparar uma fala, o que pode levar o colaborador a pensar que não há argumentos válidos para sua demissão, ou que seu superior não está sendo transparente. Dessa forma, o momento pode se tornar mais desagradável do que já é.

Não ser racional

Deixar o lado emocional conduzir a conversa não é uma boa decisão. É preciso ser estratégico e resgatar feedbacks anteriores para construir um argumento sólido que justifique a demissão. Lembre-se: o seu comportamento, acima de tudo, pautará o tom da conversa.

Não realizar avaliações periódicas

A demissão nunca deve ser uma surpresa. É preciso realizar avaliações periódicas para dar ao colaborador feedbacks de como está seu desempenho na empresa. Quando se chega ao ponto de optar por uma demissão, os feedbacks anteriores precisam indicar que, sem uma mudança de postura, a decisão seria inevitável. Os retornos também são importantes para que o funcionário tenha a chance de reavaliar seu comportamento e buscar formas de melhorar o desempenho.

Não assumir a decisão

Usar argumentos como “Os superiores decidiram”, ou “Se fosse apenas minha decisão” não ajudam no momento do desligamento. Mesmo que não tenha sido uma escolha do gestor direto daquele colaborador, é preciso escolher as colocações corretas para não colocar o peso da decisão em cima de terceiros.

Como você pôde entender neste conteúdo, demitir um funcionário é uma tarefa árdua, mas inevitável para a maioria dos gestores. Neste post, você recebeu algumas dicas de como analisar se uma demissão é plausível, e como demitir um funcionário de maneira menos desconfortável, tanto para o gestor, quanto para o colaborador em questão. Além disso, ainda viu dicas de como não agir nessa situação.

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