De autoritário a servidor: o líder do futuro

*Por Daniela Ribeiro

A figura do líder autoritário, comum nas empresas extremamente hierarquizadas do passado, tem perdido espaço nas organizações há algum tempo. Mais do que apenas conhecer profundamente determinado assunto ou função, hoje é necessário que o gestor desenvolva um perfil servidor perante sua equipe e assuma uma posição de paridade com seus colaboradores.

Paciência, gentileza, respeito, honestidade, comprometimento e saber ouvir são algumas das aptidões mais valorizadas hoje no gestor de pessoas. A capacidade de exercer uma ótima comunicação também se faz presente no novo líder, principalmente quando se trata de clareza e transparência.

Apesar de vivermos em um mundo altamente tecnológico, o contato humano e a linguagem corporal ainda são ferramentas muito importantes para a criação de uma relação mais próxima, que podemos chamar de relação de confiança com os colaboradores, que acaba ajudando e muito na obtenção de resultados. Esse gestor não se prende apenas a trocas de e-mails, por exemplo, mas mantém sua equipe perto de si, o que o tira da posição de hierarquia, tornando a relação menos impessoal e mais integrada com os liderados.

A principal dica para os profissionais que desejam exercer a liderança é não pensar no poder, dinheiro e nos benefícios que a função pode gerar, mas saber que o papel mais importante é de o saber servir e ser um facilitador para sua equipe. Ou seja, cooperar para que as atividades sejam executadas de maneira natural e, assim, atingir as metas propostas. É preciso conquistar autoridade e credibilidade por meio de exemplo e respeito, e não apenas pela imposição de poder.

É notório que o perfil profissional dos executivos depende tanto de sua formação acadêmica quanto de suas características comportamentais. Mas aqueles que se consideram sábios em qualquer tema transmitem uma imagem arrogante. A liderança do futuro é para os profissionais que deixam de ser chefes e fazem com que suas equipes percebam que todos são peças fundamentais na engrenagem, tanto o gestor quanto o seu time. O bom líder é parceiro e consegue engajar e motivar seus profissionais. E esse perfil é valorizado em qualquer empresa.

No livro “O líder servidor” de James A. Autry, o autor escreve muito sobre a verdadeira liderança, que é baseada em caráter e visão, que geralmente são fatores que se aprende desde a sua criação. Ele também cita as 5 principais características que considera fundamentais para um líder servidor: ser autêntico, ser vulnerável, ser tolerante, ser presente e ser útil. No mesmo livro algumas frases que definem a liderança colaboram para esta reflexão: Liderança não tem nada a ver com controle de pessoas; tem a ver com se importar com as pessoas e ser um recurso útil para elas.

Liderança não tem nada a ver com ser chefe; tem a ver com estar presente para as pessoas e envolvido com a criação de uma comunidade de trabalho. Liderança não tem nada a ver com agarrar-se a um território; tem a ver com desprender-se do ego e trazer seu espírito para o trabalho, mostrando seu melhor e sendo o mais autêntico possível. A liderança é menos preocupada com exortações e mais preocupada com a criação de um ambiente onde as pessoas possam desempenhar um bom trabalho, encontrar um significado em sua função e possam trazer seu espírito para o trabalho. A liderança, como a vida, é em grande medida uma questão de prestar atenção. Liderança requer amor.  

*Daniela Ribeiro é gerente sênior da Robert Half

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