Cuidado com a “laranja podre”

Por Saulo Ferreira

Uma das fases mais importantes para as empresas que focam no bem-estar e na felicidade de seus colaboradores é o recrutamento. Isso mesmo! Antes mesmo de colocar alguém na equipe, o gestor deve estar preocupado com o bem-estar de todos – tanto de quem chega como de quem já está ali. Neste sentido, vale a pena que ele fique bem envolvido no processo de contratação, porque ninguém entende o trabalho ou as pessoas com as quais o novo colaborador irá trabalhar melhor do que você.

Assim, dedique especial atenção às habilidades interpessoais durante o processo de entrevista. Foi-se o tempo em que um processo seletivo baseava-se apenas em competências técnicas e conhecimentos sobre um tema específico. É claro que essas informações são importantes, mas muitas organizações, quando realizam um processo seletivo, estão levando em conta, também, as competências comportamentais dos candidatos, suas emoções e personalidade. Um candidato que parece perfeito tecnicamente, por exemplo, pode não colaborar com o crescimento da equipe se não tiver habilidades sociais. As atitudes são contagiosas e uma “laranja podre” pode realmente contaminar um grupo feliz. Ou seja, se alguém é brilhante, mas não se encaixa no grupo, é possível que traga mais malefícios do que benefícios.

Identificando a “laranja podre”

Se não foi possível notar o problema na contratação, é importante atenção para identificar o mau profissional no dia-a-dia.

Conheça alguns perfis de profissionais que podem “azedar” o restante da equipe:

O reclamão: no ambiente de trabalho, o "reclamão" pode contaminar o estado de espírito das pessoas ao redor. Tudo fica mais difícil porque o ele só consegue enxergar os problemas e não consegue contribuir para solucioná-los.

O fofoqueiro: cuidado com aqueles que gostam de espalhar uma notícia, seja boa ou ruim. A partir de um simples comentário, ele pode tirar conclusões precipitadas e dar vazão aos piores rumores.

O acomodado: são aqueles que não veem na empresa nenhuma oportunidade de mudar a sua vida para melhor e estão satisfeitos com sua posição atual. Eles não crescem, mas também não acrescentam nada para companhia, podendo transferir esse comodismo aos demais colegas.

O rebelde: ele contesta toda determinação superior, não cumpre prazos e acaba atrapalhando o bom andamento da equipe.

O impulsivo: esse profissional age sem pensar, o que aumenta as chances de envolvimento em situações de risco e atrapalha o planejamento.

Cuide da sua equipe

Apesar de muitas características serem natas, certos comportamentos ruins podem acontecer pontualmente, por conta de um descontentamento momentâneo, de uma insatisfação etc. Assim, tão importante quanto contratar pessoas que são uma boa combinação com o seu local de trabalho é assegurar que elas permaneçam compatíveis.

Pense nisso como “re-recrutar” os seus colaboradores. Periodicamente volte a pensar sobre o ajuste de toda a sua equipe. Tenha discussões com seus subordinados diretos sobre sua ligação com a empresa. Será que eles ainda se sentem desafiados no cargo? O que eles mais gostam em seu trabalho? Será que sentem que suas habilidades estão sendo totalmente utilizadas?

Importante: converse com os funcionários sobre a evolução de seus objetivos e caminhos potenciais para ajudá-los a chegar lá. Eles ficarão mais felizes, serão mais produtivos e muito mais dispostos a permanecer na empresa.

Saiba mais sobre Felicidade no Trabalho no material: O Segredo das Empresas e Colaboradores mais Felizes

*Saulo Ferreira é gerente de recrutamento da Robert Half

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