Crises Internas e Oportunidades ocultas. Os negócios estão repletos

Por Bruno Mello

Muitas empresas e profissionais se escondem atrás da crise. Ela existe e afeta diversos mercados, porém, muitas companhias têm suas crises internas. São esses problemas que ganham mais forma e volume em momentos como este. Às vezes, nem tantas intempéries assim são as responsáveis pelo fracasso, mas oportunidades de ganho real invisíveis aos olhos de organizações acomodadas, com falta de visão ou, em muitos casos, por não se colocarem na pele do cliente e por não cuidarem de sua gestão e processos com lupa. 

Vejamos um exemplo. Quando o assunto é aquecimento global, temos de cabeça os principais causadores do aumento de CO2 na atmosfera: a polução e o desmatamento. Por décadas, nações inteiras, organizações mundiais, empresas multinacionais e organizações não governamentais debateram e agiram em cima destes dois males.

Um estudo publicado na revista PNAS, da Academia de Ciências dos EUA, mostra agora que a caça a grandes mamíferos da Amazônia prejudica a capacidade da floresta de estocar carbono porque atrapalha a reprodução de árvores densas, que dependem desses bichos para espalhar sementes. Isso quer dizer que antas, macacos-aranha e macacos barrigudos também estão diretamente ligados ao combate do aquecimento global. E ninguém pensou nisso antes.

No mundo dos negócios, a questão é bem mais simples. Ficamos sempre muito preocupados e empenhados para lançar um novo produto, serviço ou campanha. Pensamos demasiadamente no futuro, nos esquecemos do presente e sequer lembramos do passado. 

É importante olhar para frente, no entanto, muitas soluções ainda moram dentro da melhoria continua de nossa produtos e serviços. Elas ficam invisíveis aos nossos olhos porque não olhamos para nossos produtos e serviços. Perder o vício do olhar e sobretudo adicionar novos olhares fará com que achemos as antas e os macacos que estão fazendo falta em nossos negócios. 

Para evitar esta miopia, algumas empresas implantaram programas de job rotation. Certamente você já ouviu falar sobre isso, mas até agora não aplicou. Ter um diretor no chão da fábrica, atendendo um cliente ou na rua implementando um projeto tem um potencial muito grande de retorno para as empresas. Ou mesmo um operador de máquinas numa reunião no setor de recursos humanos. Eles são capazes de enxergar problemas com outros olhos. 

É neste momento que podem nascer soluções que trazem mais receita para a companhia. Problemas - desde os mais simples aos mais complexos - podem ser resolvidos com maior rapidez e ações podem ser tomadas para evitar prejuízo ou gerar mais lucros. Basta uma iniciativa. Levantar da cadeira. Sair do conforto de seu ar condicionado. Gastar sola de sapato. 

Acompanho praticamente todos os casos de problemas com clientes aqui na empresa, mas pouco os atendo. Pouco vendo. Mas, em apenas dois em que tive esta experiência, implementamos quase duas dezenas de melhorias em nossos processos e ofertas que certamente podem melhorar a experiência de nossos habitantes e gerar mais receita para a companhia. Uma parte do que foi desenvolvido já era demanda do pessoal que lida com isso diariamente, mas que perdia força diante de outras. 

Parece algo simples, e realmente é. Me pego pensando sobre como somos capazes de ir à lua, mas não damos um passo em direção diferente do senso comum. Buscamos resolver problemas com soluções equivocadas, com falta de foco. Não enxergamos obviedades que estão diante de nossos narizes. Procuramos os unicórnios quando a solução está nos primórdios: o macaco. No fim, é a boa e velha questão de voltar ao básico que já falamos por aqui. 

Bruno Mello é fundador e editor executivo do portal Mundo do Marketing. Formado em jornalismo pela FACHA e com MBA em Gestão de Marketing pela UFRJ, trabalhou no Jornal de Turismo, na Rádio Carioca cobrindo economia, em sites e revista sobre automobilismo e no site da TVE Brasil, hoje TV Brasil. Fez Planejamento de Comunicação e Assessoria de Imprensa e Marketing para ONGs, piloto de Stock Car e para a Organização Hélio Alonso de Educação e Cultura. [email protected]

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