A comunicação (im)pessoal e as mídias (anti)sociais

*Por Jorge Martins

Outro dia, estava no aeroporto aguardando a chamada para o meu voo e a bateria do celular acabou. O que fazer? Eu poderia entrar em pânico e sair pelo aeroporto na busca desesperada por uma tomada para voltar a ficar conectado. Quem nunca? Mas resolvi observar o movimento ao redor pelas três horas de espera que eu tinha pela frente. É impressionante como ficamos dependentes desse aparelho hipnotizador chamado smartphone. Haviam dezenas de pessoas próximas: executivos, casais, grupos de amigos. Todos conversando...via whatsapp ou outra ferramenta de mensagem instantânea – não entre eles.

Cada vez mais, deixamos de lado a comunicação presencial, para comunicarmos com quem não está presente. Seja num encontro com amigos, família ou reunião no escritório não desgrudamos das redes que têm nos deixado antissociais. Nos processos de recrutamento que conduzimos na Robert Half, o peso das habilidades comportamentais tem crescido dia a dia. É interessante perceber como esse quesito se torna difícil de ser atendido a partir do momento que dedicamos mais tempo à nossa vida virtual, com fotos, compartilhamentos e conversas nas mídias sociais, do que à real, no contato olho no olho, cara a cara. Estamos atrofiando nossa capacidade de comunicação e transformando-a em hashtags e emoticons. E isso não vai parar. A tendência é que se torne ainda mais frequente.

Porém, quando for preciso fazer uma apresentação de negócios, participar de uma reunião ou uma entrevista de emprego serão a capacidade de comunicação presencial e o relacionamento pessoal que farão a diferença. Por isso, não dá para negligenciá-los. Mensagens instantâneas são rápidas e fáceis, mas também impessoais. Quem nunca teve uma mensagem mal interpretada pelo receptor?! Uma comunicação clara e próxima só é possível pessoalmente. A sustentabilidade das relações também. Cuide disso!

*Jorge Martins é gerente da divisão de Sales&Marketing, Engenharia e TI.

Tags: Carreira

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