Como está sua preparação para a retomada da economia?

Por Saulo Ferreira

Quando uma companhia está com dificuldades para atingir as metas de vendas ou expandir o volume das transações, é preciso encontrar alternativas que, de alguma forma, garantam a rentabilidade do negócio. Foi diante deste cenário que, desde o final de 2015, em decorrência da desaceleração da economia, que a área financeira das empresas vem ganhando cada vez mais importância dentro das corporações.

Minha percepção é de que a maior parte dos gestores financeiros e tomadores de decisões na área de finanças encerraram o primeiro semestre de 2017 mais otimistas, se compararmos ao mesmo período do ano anterior. Muitos aproveitaram o momento desafiador para adotar e incorporar às suas rotinas ações como renegociação de contratos, maior atenção às taxas de inadimplência e aos processos tributários e busca por soluções que lhe gerassem maior crédito, além de ações que melhorassem ou aperfeiçoassem o nível de compliance.

As empresas interessadas em manter a competividade, de alguma forma, aprenderam a fazer mais com menos e atitudes como essa sempre tendem a se refletir no amadurecimento dos processos. Isso quer dizer que, se bem aproveitada, toda a experiência adquirida em períodos de crise tende a ser muito benéfica para a sustentabilidade do negócio, independente da área de atuação, contribuindo, inclusive, para o momento de retomada da economia. O mercado brasileiro já enfrentou diversos desafios, que sempre se mostraram como oportunidades para empresários com visão de médio e longo prazo.

Às companhias que se veem diante da decisão crucial de realizar cortes ou substituições no quadro de colaboradores de finanças e contabilidade, a orientação é tomar decisões com base na capacidade estratégica e de entrega dos profissionais em questão, principalmente em posições-chave. Ao estruturar uma equipe, é preciso considerar o alto nível de complexidade de se operar na área financeira do Brasil, incluindo particularidades trabalhistas e tributárias. Perder um profissional estratégico significa prejuízo na gestão do negócio.

O profissional de finanças e contabilidade, por sua vez, deve ficar atento às novas exigências do mercado. Foi-se o tempo em que a demanda era por colaboradores para ficar apenas atrás dos computadores. Hoje, a valorização está no profissional capaz de negociar com o cliente, com ampla visão do negócio para gerar retorno financeiro para a companhia, garantir o compliance, além de ser multitarefa e ter o famoso perfil “mão na massa”. No auge da crise, muitos profissionais foram substituídos justamente por não suportarem a pressão do momento.

Há um claro otimismo quanto à retomada da economia, mas o fato ainda não se concretizou. Dessa forma, é preciso que as empresas se preocupem em manter um back office robusto, assim como se preocupam com a estruturação de seu departamento comercial. Aos profissionais, o meu conselho é pautar  as decisões de carreira pelas oportunidades e propósito do projeto e não apenas pela remuneração que ela oferece. 

* Saulo Ferreira é gerente de recrutamento da Robert Half

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