A gestão estratégica de TI, segundo especialista

Chief Information Officer (CIO)

Há algum tempo, a área de tecnologia vem passando por profundas mudanças em relação à função que desempenha dentro das empresas, deixando de ser apenas o suporte técnico e operacional dos departamentos para assumir um papel estratégico nas decisões, com foco no resultado dos negócios.

Mais proativo e dinâmico esse novo profissional, responsável pela gestão estratégica de TI, busca entender todas as particularidades da companhia, com o objetivo de ter mais ferramentas para sugerir melhorias e soluções de maneira assertiva. Na Della Via, por exemplo, a figura do Chief Information Officer (CIO) estratégico já é realidade desde 2005. Lá, o cargo é ocupado por Marcos Paulo Correa, que está na empresa desde 1999 e acompanhou de perto toda evolução da área.
Nessa entrevista exclusiva ao Blog da Robert Half, o executivo conta sobre as características essenciais dos líderes de tecnologia.

RH - Qual o papel do Chief Information Officer (CIO) estratégico, na prática?

MPC - O CIO não é mais um profissional apenas técnico. É preciso entender também do negócio e do mercado. Acredito que ele deixa de ser “parte do negócio” para ser “o” negócio. É importante conhecer a abrangência do mercado para ter noção da melhor tecnologia, sempre focada nas expectativas da companhia. Por isso, é fundamental aprender sobre todas as áreas - começo, meio e fim - e alcançar uma total sinergia entre todas as suas necessidades

Você também pode gostar de: O novo perfil do profissional de TI

RH - Você está na Della Via desde 1999. Como avalia o processo de evolução da função?

MPC – Fiz parte de todo o processo de evolução do CIO na Della Via. Empenhei-me bastante para tornar o cargo mais comercial, pois essa área sempre me chamou muito a atenção. Deixamos de ser uma área que simplesmente está preocupada se o sistema está no ar ou se o link está funcionando. Passamos a ser o core do negócio, que não utiliza simplesmente de ferramentas tecnológicas, mas sim de uma estrutura de inteligência para resultar em uma melhor formatação nas regras da empresa. Na Della Via, por exemplo, acredito que a tecnologia é o “meio”, e o “fim” seria vender o pneu, ver o cliente saindo da loja satisfeito com a qualidade do atendimento e com o preço justo. Isso também evoluiu com o nosso trabalho.

RH - Quais vantagens da gestão estratégica de TI para a empresa?

MPC – O que eu sempre relato para a minha equipe é que a área de TI é como uma peça de teatro. A área comercial são os atores. Nós, como área técnica, somos o funcionamento da iluminação de todos os cenários, o abrir e fechar das cortinas nos momentos corretos. Assim, a tecnologia por si só não deve aparecer, não tem que sobressair às demais funcionalidades da empresa. Nossa função é transformar o trabalho burocrático em ferramentas tecnológicas para que as pessoas se preocupem exclusivamente com o negócio. Levamos para as áreas e à direção da empresa possibilidades de crescimento e uma análise mais aprofundada de todos os dados que são gerados, por meio de tecnologia e infraestrutura. Ou seja, oferecemos um melhor aproveitamento de tudo aquilo que é gerado pela tecnologia para uma tomada de decisão mais rápida e eficaz.

RH- Como foi a aceitação da equipe nesse processo de mudança, dentro da Della Via?

MPC - Em tecnologia os ciclos se alteram sempre, então, na verdade, as mudanças acontecem até hoje. Tenho uma preocupação muito grande com a equipe, por isso busco capacitá-los para não ter apenas executores. É importante que estejam engajados para disseminar as ideias aos demais usuários de tecnologia. Foram realizadas muitas reuniões, conversas e treinamentos. Hoje, a equipe está sempre disposta a entregar um pouco mais, eles não se contentam em resolver somente o dia a dia. A minha aproximação com as demais áreas da empresa fez com que a equipe de TI também acompanhasse e entendesse essa necessidade.

RH - Quais são seus principais desafios como Chief Information Officer estratégico?

MPC – Obter total sintonia entre a rápida mudança e desenvolvimento que acontece em diversas áreas, como administrativa e comercial, com a tecnológica - que possui um processo mais devagar, pois trabalhamos com “regras pré-determinadas”. Precisamos trazer para a área de tecnologia toda essa velocidade, já que você deixa de ser o provedor de partes do processo e passa a integrar o todo.

Você também pode gostar de: As melhores certificações em TI

RH - Ainda há espaço para o CIO tático e operacional?

MPC - Com certeza. Existem grandes corporações que necessitam desse profissional mais operacional. Atualmente, há um espaço bastante amplo. Depende do modelo que cada profissional consegue seguir e de suas necessidades. Mas, o ideal é aliar os dois lados, estratégico e operacional. Eu trabalho há aproximadamente 15 anos dentro dessa linha e posso afirmar que a satisfação profissional é muito maior.

RH - Qual é o primeiro passo para implantar a cultura de CIO Estratégico?

MPC - Comprometimento de todas as áreas. O CIO precisa apresentar essa mudança do mercado de TI e convencer os demais, reforçando a necessidade de envolvimento total da empresa.

RH – O que qualifica um profissional ao cargo de CIO estratégico?

MPC - Inicialmente, é o desejo de estar envolvido em toda a estrutura de decisão: você não participa apenas das já definidas, mas também das que serão tomadas. É importante entender sobre o direcionamento, a estrutura e o posicionamento da empresa, além de entender de outros cases de sucesso e a melhor forma de aproveitá-los, ou seja, conhecer o negócio como um todo. E, não simplesmente no âmbito tecnológico. 

Compartilhar essa página