Universidade de primeira linha: é um bom começo, mas não define a trajetória

Por Robert Half on 3 de dezembro de 2020

* Fernando Mantovani

Sou engenheiro graduado pela Escola Politécnica da USP. Tenho muito orgulho disso e valorizo a universidade e os profissionais que nela se formam. Mas preciso compartilhar com vocês que dois dos maiores engenheiros que admiro não estudaram na conceituada Poli. Isso, juntamente com a minha experiência no mercado de recrutamento e seleção, me faz crer que estudar em uma universidade de primeira linha é um ótimo começo de carreira, mas não define o sucesso da trajetória.

Na minha visão, a faculdade não faz o engenheiro, o médico, o dentista, o administrador ou qualquer outro profissional. Ela, certamente, pode te abrir algumas portas, mas não te mantém na oportunidade. É preciso, primeiro, ter um planejamento de carreira bem estruturado que te guie a cada passo, indicando o que fazer e quando, que seja um norte para as principais decisões. É claro que esse plano não precisa ser estático. O ideal é que ele seja revisado de tempos em tempos para ver se ainda faz sentido dentro da realidade corporativa, do mundo e dos seus desejos e necessidades. O mais importante é que, de alguma forma, ele te leve ao posto máximo que deseja ocupar na carreira.

Nessa trajetória, recomendo que o profissional assuma a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento. É claro que uma ajuda da empresa, do gestor ou de colegas é sempre bem-vinda. Muitas organizações oferecem cursos internos ou ajuda de custo para atividades educacionais e de aperfeiçoamento. Mas não é estratégico terceirizar essa responsabilidade. Do contrário, corre-se o risco de colocar a carreira nas mãos do destino, só restando lamentar quando algo não dá certo.

A escada da carreira

Considerando cada degrau que você deseja subir na carreira, mapeie todos os pontos que precisa desenvolver como profissional e também como pessoa. Afinal, não é mentira quando dizem que os colaboradores são contratados pelo perfil técnico e demitidos pelo comportamento. Hoje, saber lidar com pressão, se adaptar às mudanças e manter uma comunicação empática é tão importante quanto alcançar resultados, ter certificações e entender de métodos e processos.

Ainda que seja virtualmente, faça cursos, participe de palestras, converse com profissionais do mercado e vá em busca de feedbacks sinceros. Comprometa-se com novos projetos, conheça pessoas, fortaleça relacionamentos e busque ajuda especializada sempre que julgar necessário. Tudo isso será fundamental para construir uma carreira sólida. Com um pouco de sensibilidade, você saberá como e quando aperfeiçoá-la ainda mais.

Quem consegue se graduar em uma universidade conceituada certamente merece reconhecimento por ultrapassar a barreira do concorrido vestibular e das possíveis exigências acima da média no dia a dia. Porém, para se firmar em uma posição de destaque entre os melhores, é preciso se apoiar em elementos mais sólidos do que um título de diploma ou no conceito da instituição de ensino que o emitiu. Pense nisso.

* Fernando Mantovani é diretor geral da Robert Half

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