Carreira de sucesso, confira as dicas de Leila Hoteit

Leila Hoteit

Por Adriana Fonseca

Leila Hoteit cresceu no Líbano. Seu pai era piloto e diretor de operações da Lebanese Airlines e sua mãe, como a grande maioria das mulheres árabes, não trabalhava. O pai de Leila, ao contrário do que determinava o senso comum, estimulou que ela e as irmãs estudassem. Aos 18 anos de idade, então, Leila foi estudar no exterior. Formou-se em engenharia elétrica e obteve um PhD na mesma área em Londres. Depois, cursou um MBA no Insead, na França.

Evolução profissional, vencendo desafios

Em uma palestra para o evento TED, em Paris, Leila contou que nunca teve um modelo feminino para se espelhar. Árabes da geração dela tiveram que ser seus próprios modelos, e foi o que ela fez.

Hoje, Leila é diretora geral e sócia do Boston Consulting Group e jovem líder global do Fórum Econômico Mundial. Ao longo do seu desenvolvimento de carreira, ela passou por grandes empresas, como Booz & Company e Schlumberger.

Na palestra, que pode ser vista no site do TED, Leila conta como enfrentou as adversidades por ser mulher. Abaixo, as três lições que ela compartilhou.

Carreira de sucesso, a importância da resiliência

“Resiliência é a habilidade de transformar m**** em combustível”. Ao fazer uma apresentação na consultoria que trabalhava e falar sobre o poder econômico das mulheres, Leila ouviu a seguinte frase: "Toda a premissa do seu estudo está errada. Quando as mulheres têm filhos, o lugar delas é em casa."

Leia também: Valorização da mulher no mercado de trabalho

Leila conta que já ouviu muitas críticas, de todos os lados, porque ela e o marido decidiram, os dois, investir em suas carreiras e, nesse caso, ouviu que estaria negligenciando seus filhos. "Eu estaria mentindo se eu dissesse que essas palavras não machucam." O que ela fez diante dessas críticas? Ela diz ter duas opções. A primeira é internalizar essas mensagens negativas e sentir-se um fracasso, pensar que o sucesso é algo muito difícil de se alcançar. Ou você pode ver a negatividade dos outros como um problema deles e transformar isso em seu próprio combustível. "Eu sempre escolho a opção dois."

Evolução profissional e vida profissional, mantenha o equilíbrio

Ainda hoje, os homens árabes não dividem igualmente as tarefas de casa com as mulheres. Simplesmente não é algo esperado pela sociedade. Por outro lado, da mulher árabe se espera que a principal fonte de felicidade dela seja a felicidade dos filhos e do marido. As coisas estão mudando, mas levam tempo.

Na prática, isso significa que a mulher é responsável por manter a casa perfeita, atender todas as necessidades das crianças e ainda administrar a própria carreira. Para alcançar isso, você precisa trabalhar a sua vida.

No Oriente Médio [como no Brasil], famílias de classes mais altas conseguem ter uma empregada doméstica. “O desafio é saber selecionar essas pessoas”, diz Leila, que usa as mesmas técnicas para selecionar e motivar funcionários no trabalho e em casa.

Além disso, a agenda dela é bloqueada das 19h às 20h30 todos os dias, porque ela quer estar em casa e ter um tempo de qualidade com seus filhos, checar lição de casa, ler antes de dormir e encher os pequenos de beijos. Se Leila estiver viajando, no mesmo horário de sempre, ela se conecta com as crianças via Skype.

No Ocidente, parece que as mulheres geralmente se comparam às outras para serem notadas como as mais bem-sucedidas da sala. De forma geral, as mulheres árabes não caíram nessa armadilha psicológica. Como vivemos em uma sociedade patriarcal, tivemos que aprender a nos ajudar e isso impulsiona nossas carreiras.

Leia também: Guia da recolocação profissional

Adriana Fonseca é jornalista, tem 14 anos de experiência na cobertura de carreiras e empreendedorismo e já publicou no jornal Valor Econômico, na Folha de S.Paulo e na revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Hoje, escreve e edita em seu home office.

Share This Page