As armadilhas do crescimento

*Por Marcela Esteves

É comum no meio corporativo o desejo por ocupar posições mais altas ou cargos de confiança. Esse desejo pode gerar uma certa (ou grande) ansiedade, principalmente, nos mais jovens. Porém, a ascensão profissional tem suas particularidades e não basta apenas chegar lá, é preciso saber se sustentar no novo papel com competência. Quando a ansiedade toma conta, acabamos dando um passo maior que as pernas. E deixamos de olhar fatores importantes nessa jornada corporativa. Como, por exemplo, não avaliar o impacto desse novo cargo na vida pessoal. Posições mais altas naturalmente veem acompanhadas de mais responsabilidade e mais trabalho. Subestimar como isso vai afetar outros aspectos da sua vida pode trazer problemas com os quais você não está preparado para lidar – cobrança dos filhos, esposa ou esposo, amigos, etc.

A ascensão muito rápida também compromete seu amadurecimento para lidar com decisões inerentes a um cargo de gestão. Além de cuidar do dia a dia e das metas a serem atingidas, há questões relacionadas à gestão de pessoas, relacionamentos sensíveis com outras áreas negócios e questões políticas dentro da empresa que só a experiência dos anos ensinam a como lidar. Não há um manual prático do gestor cujo sumário traga a fórmula mágica para solucionar rusgas entre funcionários ou a má vontade de outra área para colaborar com seu projeto. O aprendizado disso é na prática. Para evitar cair nessas armadilhas comece desde a cedo a se preparar para ser gestor. E não estou falando aqui de ficar esperando que sua empresa te coloque em um programa de capacitação de lideranças. O maior responsável por sua carreira é você mesmo. Então, corra atrás do que quer.

Não existe um bom líder desinformado, então, trate de ler e se inteirar do mundo à sua volta. Há uma vasta bibliografia que contribuirá de maneira fundamental quando você estiver liderando uma equipe ou um projeto estratégico. O gestor que não tem bagagem cultural torna-se raso e sem conteúdo, podendo até ser visto como um bom executor mas que terá dificuldades de se articular ao ser colocado numa mesa de discussão com o CEO, por exemplo.

Cuide de seu currículo. O perfil pula-pula, que a todo tempo muda de um emprego para o outro, gera um ar de desconfiança numa possível oportunidade para um cargo de gestão. Para desempenhar esse papel é importante que o profissional transmita a segurança de que é capaz de cumprir ciclos e fechar projetos e não abandoná-los no meio do caminho. Pode ser que em um momento específico da sua carreira você tenha trocado de emprego rapidamente, talvez uma proposta irrecusável ou a falta de identificação com a empresa em que atuava. Mas se isso for algo recorrente em seu currículo, um recrutador, por exemplo, pode entender que trata-se de uma constante e isso é um problema.

O mais importante para quem quer crescer na carreira é fazer um bom planejamento e aproveitar as oportunidades de aprendizado que o caminho oferece. Preparar-se, tendo em vista qualidades técnicas e comportamentais, será fundamental para quando chegar sua hora de liderar.

*Marcela Esteves da divisão de Finanças e Contabilidade da Robert Half

Tags: Carreira

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