Aquecimento de mercado nos faz refletir sobre a prática da contraproposta

Por Fernando Mantovani

Comentei esses dias que estamos sentindo um aquecimento do mercado, com as empresas contratando mais nesta época do que contrataram no ano passado. O movimento pode indicar diversas coisas: expansão, substituição, retirada de projetos da gaveta... no entanto, independentemente do motivo, o volume de contratação das empresas tem crescido, evidenciando o otimismo do empresariado com relação à retomada da economia.

Essa sinalização – muito positiva para mercado – pode levar a uma “guerra por talentos”, principalmente quando falamos de profissionais qualificados. Quem já está empregado, pode começar a receber cada vez mais propostas para realizar uma movimentação. Para as empresas, a retomada indica que seus profissionais começarão a ser mais observados pela concorrência.

A tentação da contraproposta

Diante desse cenário, uma prática comum das empresas é, na hora que o colaborador pede demissão, fazer uma contraproposta, com a intenção de mantê-lo no quadro de colaborados.

Já falamos algumas vezes sobre o tema, mas nunca é demais lembrar: a contraproposta não é a melhor escolha quando o profissional decide pedir demissão. E a orientação vale tanto para empresas quanto para colaboradores, que devem pensar muito antes de aceitarem uma oferta para permanecer na companhia.

Quando se trata das empresas, costumo dizer que a contraproposta é somente uma alternativa emergencial de retenção. É importante valorizar o colaborador que se pretende reter enquanto ele está na função e não apenas quando ele pede demissão. Isso porque, em geral, insatisfação salarial não é o único motivo que leva um colaborador a buscar outra oportunidade.

Para os colaboradores, se o pedido de demissão não foi motivado apenas por questões financeiras, a tendência é que, mesmo com uma remuneração maior, as demais insatisfações não serão amenizadas. Além disso, as contrapropostas costumam afetar a reputação profissional, tanto com o empregador atual quanto com o potencial.

Fica o recado: aceitar uma contraproposta não significa criar uma oportunidade, mas, sim, perder outra.

* Fernando Mantovani é diretor-geral da Robert Half

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