Agindo como um time

*Por Isis Borge

Recentemente, uma empresa nos procurou para resolver um problema interno. Um diretor tinha o hábito de isolar a área dele dos demais departamentos da empresa e fazia com que sua equipe visse as outras áreas como inimigas. A solução encontrada pela companhia foi substituir esse executivo.

Ao ser chamado para uma conversa, porém, esse profissional imaginava que estava fazendo o bem pela empresa e não imaginava que estava com sua carreira em jogo. Apesar de parecer absurda, a situação acima é muito mais comum do que parece.

Como headhunters, nos deparamos frequentemente com reclamações parecidas: empresas que relatam competição acirrada entre equipes internas ou diretores que encaram seus pares como inimigos. Outra situação recorrente é a de executivos que agem de forma sensata e calma com os seus gestores, mas que se tornam verdadeiros ditadores com suas equipes, se impondo por uso do medo e da força de estar em um cargo com autoridade.

Muitas empresas têm nos procurado pedindo a substituição desses tipos de profissionais, mesmo sabendo que eles têm um bom desempenho na empresa. No cenário atual, em que o “mundo lá fora” é competitivo, é importante que as áreas internas da empresa se ajudem para ganhar mercado, visando o bem comum que é o desempenho da companhia.

A pergunta que faço para os profissionais é: será que você está contribuindo para transformar sua empresa em um time? Um exercício interessante é fazer uma auto-análise para entender qual papel você assume: gerar intrigas internas ou unir as equipes. Se a constatação for de que suas ações tendem a estimular brigas e disputas, mude de postura enquanto é tempo.

O mercado não tolera “maçãs podres”. Um dos indícios que começa a incomodar as empresas é a alta rotatividade nas áreas que essas pessoas coordenam, equipes desmotivadas ou desesperadas para mudar de setor. As empresas estão atentas a esse comportamento, e podem demorar para apurar os fatos, mas fatalmente percebem o problema e substituem os agentes responsáveis por estas atitudes. Esse tipo de postura antiprofissional corre o mercado: novos contratantes costumam tomar referências dos executivos antes de contratar e desistem quando ouvem que o candidato é capaz de atitudes desse tipo.

Hoje, as áreas de recursos humanos e a alta diretoria das empresas estão abertas para o diálogo com os profissionais. Em multinacionais e companhias de grande porte, muitas vezes existem canais de denúncia anônimos que podem ser utilizados e ajudam a organização a investigar e apurar tais fatos. Para os profissionais que estão abaixo de um gestor que age dessa forma, a dica é: não tenha receio de falar abertamente com as áreas competentes. As empresas precisam saber o que ocorre para poderem agir.

Na prática, as empresas estão abandonando a crença de que resultado deve vir acima de tudo. O bom ambiente de trabalho e a motivação dos colaboradores são importantes, e executivos que não agirem pelo bem comum têm vida útil muito curta no mundo corporativo. A empresa deve agir como um time e não tratando suas equipes internas como feudos inimigos!

*Isis Borge é gerente da divisão de Engenharia da Robert Half

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