Mudar de empresa é uma opção durante o período de crise?

Os impactos da crise no mercado de trabalho

Por Isis Borge

O momento desafiador do mercado, exige atenção dos profissionais em busca de recolocação, dos que estão empregados e até mesmo dos empregadores. Em períodos de crise, o excesso de informações confusas pode interferir negativamente nas expectativas de cada um. Afinal, existe a crise no mercado de trabalho?

O que mais tenho ouvido de candidatos, clientes e colegas são questionamentos sobre os impactos deste atual cenário. Por isso, aproveito para listar alguns mitos e verdades, que podem contribuir para uma melhor compreensão do cenário e das oportunidades para uma travessia mais confiante durante esta turbulência, para quem quer mudar de empresa.

Os mitos da crise econômica

Baixo volume de vagas no mercado de trabalho

Apesar da crise no mercado de trabalho, existem vagas. No entanto, em cenários adversos, o mais comum é que as posições abertas sejam motivadas por substituição.

As empresas costumam revisar em seus quadros em busca de mais eficiente e produtividade e podem optar por substituir um profissional que esteja abaixo de seu rendimento ideal. Também é possível observar a abertura de vagas oriundas do retorno de expatriados aos países de origem.

Facilidade para contratar profissionais

Este é um mito comum. Alguns empregadores têm a falsa impressão de que em um cenário com alto número de profissionais em busca de novas oportunidades é mais fácil recrutar. Ao contrário, é muito mais difícil separar o joio do trigo. O excesso de currículos recebidos para as vagas torna a tarefa ainda mais árdua.

O fim da crise

Infelizmente, não temos bola de cristal para saber o que vai acontecer, mas analisando as tendências de mercado de diversos países do mundo percebemos que as crises são cíclicas e, em geral, esse cenário dura em torno de dois anos.

O que indica que possivelmente estamos mais próximos do final. E uma coisa é certa: o retorno costuma ocorrer em ritmo bem acelerado e é preciso estar preparado para surfar essa onda.

As verdades sobre a crise

Muitos profissionais disponíveis

É fato que há uma grande quantidade de profissionais disponíveis no mercado e com perfis diversos. É possível observar desde pessoas que foram desligadas pela baixa performance a outras com trabalho de excelente qualidade, mas que a empresa não foi capaz de manter por conta do alto salário.

Há casos em que o colaborador era considerado bom, mas foi dispensado pelo fato de a empresa o enxergar com maior empregabilidade em comparação a outros que seguiram na companhia.

Diminuição na abertura de vagas de emprego

Em visitas diárias a empresas dos mais diversos segmentos, a percepção é de que muitas organizações estão receosas de abrir vagas antes de uma definição mais clara do cenário político e econômico. 

Bons profissionais com baixo custo

O mercado está repleto de profissionais seniores com pedidos de remunerações abaixo do habitual e outros com menos experiência com a mesma pretensão. Apesar de ser verdade, é importante analisar se quando o mercado voltar a aquecer se esses profissionais mais experientes vão permanecer nas empresas ganhando menos ou tentarão novas oportunidades para voltar aos patamares salariais anteriores.

Caso o contratante aceite correr o risco pensando no benefício imediato a alternativa pode funcionar. Mas, se a ideia é formar alguém para o longo prazo, vale a pena contratar a pessoa com menos experiência, que tende a se manter na empresa por mais tempo.

Dificuldades na mudança de setor

A presença de segmentos mais aquecidos tem gerado o desejo de pessoas migrarem para esses setores. É importante levar em consideração que nem todas as companhias são abertas a receber pessoas de outros segmentos, principalmente em cargos de liderança.

Quanto maior o cargo mais difícil é a transição. Este processo é sempre mais fácil quando se trata do mesmo cargo, sem ascensão ou mudança de departamento, pois o risco de adaptação por parte do contratado é menor.

Existem áreas mais correlatas do que outras, então é preciso pensar com cautela sobre quais mercados podem ser mais semelhantes com o que o profissional atuava, evitando decepções em casos de mudança radical de mercado. Já outras empresas apostam mais no perfil pessoal do que na experiência em si. Nesses casos, as portas para uma mudança podem estar mais abertas.

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Diante deste contexto, sou otimista e aprecio muito a famosa expressão do publicitário Nizan Guanaes: “Enquanto eles choram, eu vendo lenços”. A tradução é de que é preciso analisar o cenário e entender quais as oportunidades nesta fase do mercado para enxergá-las e ter ciência de que a qualquer instante a retomada pode ocorrer e o melhor é não se deixar levar pelo desespero, mas sim estar preparado!

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Isis Borge é gerente de recrutamento da Robert Half.

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