Ref. NE-01616
Se em tempos de crise surgem oportunidades de negócios, a área de planejamento tributário é o maior exemplo disso. As empresas estão se adequando a uma nova realidade de mercado, em que profissionais acumulam funções e responsabilidades, tendo como foco a revisão de orçamentos. Neste cenário, o executivo que olha para os gastos das organizações e identifica como eles podem ser reduzidos ganham destaque. E o pagamento de tributos é um dos que mais podem ser ajustados. No entanto, pagá-los em dia, de acordo com o que rege a legislação brasileira, de forma inteligente e não duplicada, requer planejamento. Hoje, quem faz isso de forma competente, tem boas perspectivas e oportunidades de emprego.
Mas quem faz planejamento tributário? Contadores, administradores de empresas, economistas, advogados, desde que entendam do assunto. A legislação tributária varia de uma área para outra, possui particularidades, trâmites e conhecê-los é fundamental. Percebo claramente que as empresas estão valorizando o conhecimento técnico que esses profissionais têm de cada mercado e a oferta de vagas para pessoas com esse perfil tem aumentado.
Por outro lado, só fazer o planejamento tributário não é suficiente para garantir o emprego. Outra característica fundamental para o bom desempenho da atividade não está relacionada ao conhecimento técnico, mas a uma postura adotada no ambiente de trabalho. Enquanto muitas organizações dão desculpas para não fazer por conta da crise, outras encaram os desafios e acontecem. E o mesmo se espera dos executivos. O momento é de botar a mão na massa, chamar as responsabilidades para si e tomar as decisões certas. Na área tributária, essa postura é fundamental.
Na área de finanças, outro movimento gerado pela crise nos mercados chama a atenção. Há uma maior preocupação e análise por parte das organizações nas contratações. Tenho visto presidentes de companhias realizando entrevistas com candidatos para cargos de analistas. Mais do que nunca, uma postura profissional ativa diante das incertezas dos mercados faz toda a diferença.
Para os brasileiros, as mudanças necessárias no perfil dos profissionais soam menos agressivas que em outros mercados. Nos adaptamos bem às transformações. Por isso, somos muito bem vistos no mercado de trabalho lá fora e temos feito a diferença no momento em que muitos reduzem investimentos e adequam budgets. Desta forma, não temo em dizer que se a crise gera oportunidades, os brasileiros - aptos para o planejamento tributário ou não - estão prontos para explorá-las.
Sócrates Melo é Consultor da Divisão de Finanças & Contabilidade da Robert Half em São Paulo